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Europa vai ter estratégia para os microchips

CEITEC: o ataque à preciosa indústria de microchips

CEITEC: o ataque à preciosa indústria de microchips

Por Maurício Andrade Weiss, no Sul21

A indústria de semicondutores é provavelmente a mais concorrida erelevante no âmbito mundial. Eles estão presentes nos componentes dosprincipais bens de consumo duráveis contemporâneos, tais comosmartphones, computadores, automóveis e eletrodomésticos e, com aampliação e disseminação das “casas inteligentes” e automóveisautônomos, estarão ainda mais presentes na vida cotidiana. Ossemicondutores são empregados não apenas nos bens de consumo, como emtoda a infraestrutura de telecomunicação, inclusive satélites, naindústria de energia alternativa, destacando a transformação da energiasolar em elétrica; bem como na diversidade cada vez maior de bens decapital e nas cadeias produtivas como um todo, a exemplo da indústria dealimentos e fármacos. Sua utilização ultrapassa a esfera do produto eda produção, envolve praticamente todo desenvolvimento do conhecimentohumano e impacta diretamente a própria organização da sociedade (ver UFSCAR)

Em razão disso, as principais potências econômicas mundiais estãodisputando acirradamente este setor e dispendo volumosas quantias paraincentivar a indústria local, vislumbrando menor dependência externa.Esse movimento ficou explícito na “Guerra do 5G”, em que China e EUAdisputam a oferta da infraestrutura dessa nova tecnologia, na qual opaís asiático, através da empresa Huawei (maior fornecedora deequipamentos para redes e telecomunicações do mundo, atuante também naprodução de bens de consumo, como smartphones), tem apresentado asmelhores soluções em termos de custos e qualidade. Como resposta, alémda tradicional pressão política, os EUA passaram a impor restrições aoferta de chips – cujo insumo base são os semicondutores – para aHuawei. O mecanismo principal dessa disputa se deu através da TaiwanSemiconductor Manufacturing Corporation (TSMC), pois esta utilizatecnologia estadunidense.

Embora a China tenha domínio na produção de semicondutores paradispositivos móveis, suas empresas ainda estão muito atrás em termos dedesign e participação de mercado em semicondutores ligados a memória elógica. Este país tem aplicado em torno de cinquenta bilhões de dólaresnas últimas duas décadas na forma de subsídios para a indústria desemicondutores, o que potencializou uma indústria capaz de exportar US$101 bi em 2019, crescimento de 20% em relação à 2018. Contudo, aprodução doméstica responde apenas por 30% da demanda interna (TRT WORLD),fazendo com que o país asiático se torne o maior importador desemicondutores do planeta, chegando ao impressionante número de US$ 350bi em 2020, alta de quase 15% em relação ao ano anterior. Atualmente omercado de semicondutores é dominado pela tecnologia dos EUA (oito dasquinze maiores empresas). Já a produção se concentra em Taiwan, a qualrespondeu por 60% da receita mundial em 2020 (Forbes).

Como forma de reduzir essa dependência até 2025, a China implementouum plano que envolve um financiamento na ordem de US$ 1,4 tri, o qual,segundo Ualace Moreirapossui quatro dimensões: i) contratar milhares de engenheirostaiwaneses especialistas em produção de chips; ii) aliança de pesquisacom a Rússia, país que forma mais engenheiros do que EUA e principaldestino para novos investimentos da Huawei; iii) produção de chips deúltima geração (largura de porta de transistor de 7 nanômetros) naChina; e iv) linha de produção de chips que não requer equipamentoestadunidense.

A escassez de semicondutores e chips não é exclusividade paraempresas chinesas. Além da crescente demanda decorrente dainfraestrutura e de aparelhos que utilizam a tecnologia 5g, as mudançasde hábito na pandemia que geraram maior procura por televisores,computadores etc., em combinação com uma nova geração de consoles devideogames da Sony e Microsoft e inovações do setor automobilístico,intensificaram a busca por semicondutores. Há ainda a restrição pelolado da oferta, decorrente da pandemia no ano passado e problemaspontuais, como incêndio em uma fábrica de semicondutores e questõesclimáticas. A escassez de chips gerará interrupções em diversos setores,gerando perdas expressivas. A título de exemplo, a Ford e GM combinampara um prejuízo estimado de US$ 4,5bi em decorrência dessa paralização (The Gardian e BBC).

A situação atual tem ligado sinal de alerta generalizado. Paíseseuropeu incluem como objetivo a ampliação de semicondutores nocontinente, a qual inclui um plano de 145B€ (Paulo Gala).A Índia tem oferecido auxílio de mais de um bilhão de dólares a cadafábrica de semicondutores que se propuser a se instalar no país. Essa éparte de uma estratégia mais ampla para o país se tornar o segundo maiorprodutor de smartphones do planeta, ficando atrás apenas da China (Reutes).

Os EUA, por sua vez, reconheceram a importância de não apenasinvestirem no desenvolvimento de novos produtos, como também anecessidade de retomar a produção internamente. Em 1990, os EUArepresentavam 37% da produção mundial e atualmente representa apenas12%. Para tanto, o Plano de Emprego Americano que conta com US$ 2,3 tri,destinará US$ 50bi para a promoção da indústria de semicondutores.Ainda há um projeto no senado para impulsionar a pesquisa edesenvolvimento de US$ 110 bi, no qual o setor de semicondutores estáincluso (Valor).

A preocupação com os rumos da produção de semicondutores estápresente até mesmo em Taiwan. Os esforços se concentram em evitar que aChina prossiga com seu plano de contratação de experientes engenheirostaiwaneses, para tanto o governo taiwanês solicitou que todas as ofertasde emprego na China fossem retiradas das agências de emprego. Arelevância desse setor é tão significativa que envolve aspectosgeopolíticos. Apesar de a China há muito tempo ver Taiwan como parte deseu território, essa relação tem azedado como consequência da disputatecnológica entre EUA e China (Nikkei Asia).

E como o Brasil tem se inserido nessa acirrada disputa internacional?Bem, demitindo 34 trabalhadores altamente qualificados, dandoprosseguimento ao plano de liquidação da CEITEC, localizada em PortoAlegre, que é a única empresa brasileira que reúne capacidade dedesenvolvimento e produção no segmento de semicondutores. Maisespecificamente, ela possui “capacidades técnicas nas áreas de projetode dispositivos, desenvolvimento de produtos, pesquisa e desenvolvimentoe microfabricação de dispositivos eletrônicos, sensores, dispositivosfotônicos, dispositivos microfluídicos, entre outros”. Em outros termos,a empresa “… projeta, fabrica e comercializa circuitos integrados paradiferentes aplicações”, tais como “identificação animal, identificaçãoveicular, identificação pessoal, identificação de entidades eidentificação sensorial, além de serviços relacionados ao setor”.

E qual seria o motivo alegado pelo governo federal para sualiquidação? A falta de lucros. Já que teria sido investido quase umbilhão de reais e a empresa ainda estaria apresentando prejuízo. Essaforma de avaliação é extremamente simplista e míope diante daimportância para o país em ter uma empresa inserida no setor desemicondutores. Desde o impedimento da ex-presidente Dilma, temprevalecido na condução do país a perspectiva que segue a lógica dafinanceirização da economia.

Um dos aspectos centrais de uma economia financeirizada é apriorização do curto prazo e da valorização na forma líquida, emdetrimento do longo prazo e da valorização na forma física. Comoapontado por Dallery (2009) e Stockhammer (2010), tais mudanças nas prioridades são reconhecidas na literatura como as estratégias do maximum shareholder value,isto é, maximização do valor acionário. Nessa estratégia, as firmasdeixam de realizar projetos cujo retorno não seja rápido e que osresultados não possam ser vislumbrados pelo mercado financeiro. Nessesentido, empreendimentos que possam ser altamente lucrativos, mas cujoresultado além de demorado é incerto, deixam de ser realizados.

Em um regime como o descrito acima, os investimentos e as inovações se dão no coreda indústria, sendo que ambos devem refletir em aumentos na valorizaçãodas ações. Os investimentos para expandir a produção não se dão maiscom expansão das plantas industriais, mas sim na compra de concorrentes.Um aspecto que reforçou essa dinâmica foi a estratégia de downsize and distribute. O downsize pode ser entendido como uma redução da estrutura da empresa, ou seja, venda de ativos físicos e da força de trabalho. Já o distribute éa ideia de que os gerentes deveriam administrar as empresas embenefício dos acionistas, o que implica a máxima distribuição possívelde recursos. Nesse contexto, a firma passou a ser vista como um conjuntode ativos negociáveis a serem mantidos ou vendidos, de acordo com oretorno que pudessem proporcionar.

Embora a concepção da financeirização da economia tenha sidodesenvolvida inicialmente para o setor privado, ela se encaixaperfeitamente no que tem sido adotado no país desde 2017. A primeiraevidência foi em relação à Petrobrás, iniciando pelo fim da política depriorização do conteúdo nacional através da lei MP 795/2017 e, emseguida, pelo projeto de desinvestimento da Petrobrás, seguindo a lógicade concentrar as atividades no core da empresa, reduzindo aestrutura da empresa, priorizando a distribuição de lucros e buscandovalorizar as ações. Mas foi no governo Bolsonaro, cujo projeto éclaramente privatista, que este processo se acelerou. Apenas no primeiroano, foram vendidos R$ 70,9 bilhões em ativos da Petrobras. E o planoestratégico de 2021-25 é para novas vendas entre US$ 25 bilhões e US$ 35bilhões.

O caso da CEITEC é ainda mais grave, pois sequer o governo buscoualternativas para se realizar um projeto de privatização. No ramo desemicondutores, seguir a lógica da financeirização simplesmenteinviabiliza projetos fundamentais para que o país seja competitivo.Conforme argumenta Ualace Moreira, é esperado que se observe prejuízo no curto prazo quando um país opte pela estratégia de catch up e upgrading emsuas estruturas produtivas. No caso específico do setor desemicondutores, Júlio Leão, que possui 7 patentes depositadas e 2500citações e é ex-porta-voz da Associação dos Colaboradores do CEITEC,esclarece que o horizonte para uma empresa amadurecer nesse setor é de20 anos e que a CEITEC estava prestes a ser lucrativa financeiramente.

As expectativas levantadas por Júlio Leão são referendadas pelocrescimento das receitas nos últimos anos. Em 2018 se observou R$ 7,03mi, em 2019 R$ 10,14 mi e em 2020 saltou para R$ 15,46 mi, superando ameta de R$ 13,51 mi. O aumento da receita foi acompanhado pela reduçãodas despesas, tanto em termos de despesa pessoal, quanto em termos dedespesa operacional, possibilitando que o prejuízo saísse de R$ 23,91 miem 2017 para apenas R$ 4,17 mi em 2020. Como consequência, adependência financeira foi reduzida, ficando inclusive inferior à metaestabelecida.

O resultado de 2020também se mostrou positivo para as metas de desenvolvimento de produtose processos, protótipos em novos processos produtivos e produtos ouaplicações disponibilizados. Esse desempenho recente corrobora outroaspecto fundamental levantado por Júlio Leão, em entrevista ao Revolução Industrial Brasileira,ele argumenta que a CEITEC tem potencial exponencial para desenvolvernovos produtos, sendo capaz de concorrer com grandes playersinternacionais, dando um salto tecnológico e se expandindo para novossetores em um prazo de 10 anos, inclusive no mercado de etiquetasprontas, cuja rentabilidade é bem superior à de chips.

Ainda vale uma observação adicional, mesmo que o governo federaltenha como único objetivo seguir a lógica da economia financeirizada,ignorando qualquer aspecto estrutural de longo prazo e relevância de teruma empresa no setor de semicondutores com potencial de concorrer com playersinternacionais, a decisão de liquidação da CEITEC está economicamenteequivocada. Quando se faz a análise microeconômica de dar prosseguimentoou não para uma firma, não se deve levar em consideração os custospassados, pois eles são irreversíveis (sunk costs). Nessesentido, não importa para o cálculo os quase R$ 1 bilhão já investido,mas sim o potencial de lucro, o que a dinâmica recente mostra claramenteque deve ser alcançado já em um curto período.

Algumas decisões dos governos podem trazer prejuízos importantes para a economia de um país, mas que podem ser revertidos posteriormente. A conclusão da liquidação da CEITEC, ao contrário, se enquadra naquele tipo de medida que pode ser irreversível, ou revertida a um custo altíssimo e desnecessário. Desta forma, não se pode esperar uma alteração de rumo em eventual novo governo eleito. A interrupção do processo de liquidação da CEITEC é algo urgente e precisa ser amplamente debatido pela sociedade.

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Maurício Andrade Weiss é professor do Departamento de Economia e Relações Internacionais da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)

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Microchip em pets: qual o impacto na Saúde Pública?

Microchip em pets: qual o impacto na Saúde Pública? Veterinária comenta os benefícios para os pets e para o controle de doenças, como a Raiva

Microchip em pets: qual o impacto na Saúde Pública?

Cláudia Guimarães, em casa

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Uma pequena cápsula, do tamanho de um grão de arroz, é capaz de armazenar informações importantes. Estou falando do microchip para animais, um dispositivo eletrônico que carrega um sistema onde se registra dado numérico (um código), utilizado como identificação do animal por meio de um registro onde se associam dados dos seus tutores e dados do animal que recebeu o microchip.

A médica-veterinária pesquisadora, com mestrado profissional com ênfase em Saúde Pública com cães e gatos, Evelynne Hildegard Marques de Melo, informa que esse dispositivo é produzido com um biomaterial que se adapta aos tecidos orgânicos e fica localizado no lugar onde foi implantado. “A aplicação é feita como uma injeção. O microchip é introduzido numa espécie de seringa ou aplicador (específica para aplicar o microchip) que funciona como uma injeção subcutânea (abaixo da pele) e deve ser feita por médico-veterinário”, relata a profissional.

Segundo Evelynne, com o microchip é possível vincular oficialmente o animal ao seu tutor, identificando um responsável legal pelo animal. “A microchipagem adotada como estratégia de gestão pública, por exemplo, facilita o encontro do animal que se perder de seu tutor, colabora para a pessoa exercer uma posse responsável do animal, uma vez que ela passa a ter com a vinculação de seus dados ao animal, uma responsabilidade a ser mantida com a criação do seu cão ou do seu gato”, enumera.

A veterinária conta que concluiu sua faculdade na Universidade do Porto-Portugal e trabalhou com esse sistema. “Pude ver de perto a responsabilidade da gestão pública em implantar a microchipagem de cães e gatos com vistas a garantir uma posse responsável das pessoas sobre os seus animais e garantir além de regras na criação, a vacinação contra a raiva, uma vez que a vacina antirrábica é obrigatória a ser aplicada junto com o microchip, pois é assim a regra naquele País. Só vacina contra a raiva quem implantar o microchip e só implanta o microchip em animais com a vacina contra a raiva. As pessoas, por sua vez, são instruídas a exercer a responsabilidade com a criação por saberem que o estado aplica multas pesadas quando há o descumprimento de regras definas no País, como por exemplo não é permitido a circulação de cães livres desacompanhados de seus donos nas vias públicas. Caso aconteça, o animal será recolhido e muitos países na Europa investem em ambientes de recolha animal, onde o tutor é identificado rapidamente pelo leitor de microchip e além, de receber multa, ao reaver ao animal, deve pagar os custos com o tempo em que o animal passou no abrigo (exemplo dessa política é a Espanha)”, narra.

Práticas como essa, na visão da profissional, inibem o abandono. “Há trabalhos de pesquisa em Medicina Veterinária internacionais que nos mostram que a melhor maneira de vincular responsabilidade às pessoas que criam cães e gatos é com o microchip. Um País exemplo também é Itália, onde a lei que obriga a microchipagem é de 1997”, aponta.

De acordo com Evelynne, atualmente, o Brasil oferece este serviço como uma opção aos tutores de cães e gatos e que pode ser acessado em algumas clínicas particulares, contudo o objetivo é apenas o de permitir encontrar o animal em caso de perdê-lo. “Não é ainda uma estratégia pública de gestão sobre a posse responsável tal como em vários outros países. O Brasil tem como política federal obrigatória a microchipagem de cães e gatos que necessitam da emissão do passaporte pet pelo Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento-MAPA, para as situações em que os animais vão sair do Brasil. Algumas unidades da federação possui lei que obriga a implantação de microchip em filhotes comercializados, por exemplo o estado de São Paulo”, menciona.

Uma pesquisa rápida e logo observamos que há serviço de microchipagem no Brasil entre R$50,00 e R$100,00. “Além disso, é possível encontrar uma caixa contendo até 10 unidades (aplicador e microchip) por R$ 150,00 para serem utilizados por um médico-veterinário. Na Europa observamos que custa em média 10 euros, que, embora seja uma política pública, é uma obrigação do cidadão e o mesmo deve custear a microchipagem. A exemplo, neste mês de Julho de 2021, a campanha da vacinação contra a raiva em Portugal, definiu o valor de 12 euros para a vacina junto com a microchipagem e ainda tem o cartão sanitário do animal (que, naquele País, também é documento do animal unificado), em que o cidadão paga 1 euro”, elucida.

Após implantado o chip no pet, a profissional conta que a leitura é realizada por meio de um equipamento chamado de “leitor digital”. “É uma pequena máquina que, ao ser aproximada do local onde o microchip está implantado, emite um sinal sonoro e possui um visor digital onde aparecerá o código numérico único que identifica aquele animal. Nem todas as clínicas possuem leitores de microchip, pois não é uma condição comum no Brasil e nem é obrigatória, tal como em outros países”, adiciona.

O Projeto de Lei (PL) 2359/2021, do Deputado federal Marx Beltrão, foi aprovado e já está tramitando na Câmara dos Deputados. O objetivo é que o Registro Geral de Caninos e Felinos Domésticos do Brasil (RGCAFE-BR), seja disponibilizado pelo Governo Federal em todo o território nacional, com a meta de fortalecer o vínculo de responsabilidade entre tutor e animal e aumentar a segurança sanitária por meio de controle mais eficaz da raiva e outras zoonoses.

Para Evelynne, com a aprovação do PL, o País passa a ter um controle nacional, com uma central de dados unificando os Estados com seus municípios, o que, hoje, não acontece. “Atualmente, um Estado possui lei e o Estado vizinho não possui, assim como os animais são migratórios e dificulta o controle intermunicipal e, até mesmo, o controle de animais que viajam com seus tutores e são deixados em outros Estados” também é importante deixar claro que essa proposta legislativa deve vir aliada a proposta de educação ambiental, afinal o cidadão vai precisar entender sua adequação e sua responsabilidade no processo”, argumenta.

Ela frisa que o Brasil não possui e não exerce um controle, de fato, sobre a criação de cães e gatos, pois não há regras legais estabelecidas para isso ainda. “Se observarmos na Europa, além de cada País possuir sua legislação obrigando microchipagem como algo básico para a posse responsável e para o controle sanitário, a União Europeia possui base de dados unificada onde é possível identificar de onde veio um cão que, eventualmente, fora encontrado vagando sozinho nas vias públicas de alguma cidade. Durante meu estágio no Hospital da Universidade do Porto, acompanhei um caso assim: um cão labrador que foi encontrado por uma pessoa e ele tinha um microchip identificado na base de dados, que era pertencente a outro País”, lembra.

A aprovação desse PL proporciona uma atualização legislativa importante, segundo a veterinária, já que o Brasil considera, agora, o abandono um crime passível de prisão de reclusão e, desse modo, necessita atualizar as legislações. “Tal como em outros países onde se decidiu legalmente que abandono é crime, o País cria instrumento de garantir a responsabilidade do cidadão sobre o animal. O cidadão passa a ser identificado legalmente como o infrator da posse irresponsável e do abandono. Até o momento, para configurar que a pessoa abandonou o animal, aqui no Brasil, é necessário ver vídeos do ato do abandono, contudo, isso por si só não garante confirmar que o animal pertencia aquela pessoa que o abandonou (que levou uma caixa e o deixou numa calçada ou que abriu a porta do carro o deixou numa rua). Afinal, o Brasil não tem ainda esse instrumento legislativo de identificação animal formal legalizado. Com um microchip vinculando dados das pessoas, independentemente de onde o animal for encontrado, o Estado saberá de quem é a responsabilidade”, defende.

Para finalizar, a profissional comenta: “Muito se deseja, no Brasil, atingir o bem-estar animal, contudo, a todo momento, devemos lembrar que isso somente será possível por meio de política pública de posse responsável, pois nenhum animal estará seguro sem um tutor responsável e não deve ser uma prioridade da gestão pública traçar medidas de tratamento/curativas sem priorizar medidas profiláticas (castração, educação e regras de criação). A profilaxia inicia com responsabilidade do cidadão e, com o cidadão responsável, ganha o bem-estar animal”.

Bolsonaro quer acabar com única empresa que pode fabricar

Privatização da estatal brasileira Ceitec, sediada em Porto Alegre, é repudiada por sindicatos e pesquisadores

Bolsonaro quer acabar com única empresa que pode fabricar

O governo Bolsonaro anunciou que pretende extinguir a Ceitec (Centro Nacional de Tecnologia Eletrônica Avançada), estatal brasileira e única empresa da América Latina que atua na fabricação de chips e semicondutores [utilizados na fabricação de componentes eletrônicos].

Localizada na zona leste de Porto Alegre, a Ceitec chegou a ser cogitada para privatização em 2019, mas sem interesse do mercado em sua compra, foi incluída no Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), do governo Bolsonaro, que visa desmontar políticas públicas de fomento à economia brasileira.

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Funcionário da Ceitec e diretor do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Porto Alegre (STIMEPA), Edvaldo Muniz, salienta que mais de 250 servidores concursados da empresa e terceirizados perderão seus empregos com o fim das operações. No entanto, as perdas para o mundo da pesquisa e da inovação tecnológica serão ainda maiores, além do fim de importantes receitas anuais nos cofres do Estado.

“Com a extinção da empresa, perderemos tudo o que desenvolvemos em termos de pesquisa e de patentes científicas. Hoje temos sensores que são capazes de detectar a covid-19 e não podemos desenvolvê-los em larga escala por uma política do governo federal. Quer dizer, temos uma empresa pública capaz de fornecer um importante instrumento sanitário, mas que não é fabricado por falta de interesse público”, critica o dirigente do sindicato.

Edvaldo destaca que a Ceitec não foi criada para gerar lucro, mas para alavancar o mercado de semicondutores e fazer com que não fossem importados chips e semicondutores da Ásia, “o que ainda hoje causa um déficit de R$ 300 bilhões em nossa balança comercial. Se houvesse interesse do governo, poderíamos ser uma potência no setor”, ressalta.

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Uma comissão de funcionários enviou uma carta para a Central Única dos Trabalhadores do Rio Grande do Sul (CUT-RS) pedindo apoio contra o fechamento. O documento frisa que foi construído “um capital intelectual significativo nos últimos dez anos, de extrema relevância para o desenvolvimento do país. São profissionais cobiçados internacionalmente, o que vem gerando a emigração, cada vez maior, de quadros altamente qualificados que saem do Brasil para atuar em grandes empresas de tecnologia no exterior”.

CUT-RS rejeita extinção e defende investimentos em ciência e tecnologia

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Abraço simbólico realizado na sede da empresa no ultimo dia 10 de junho / Divulgação

Para o presidente da CUT-RS, Amarildo Cenci, é um contrassenso acabar com a empresa. “Temos que impedir a liquidação dessa empresa, inaugurada no governo Lula e instalada na Lomba do Pinheiro, em Porto Alegre, que é estratégica e fundamental não somente para a política de semicondutores, mas para a microeletrônica do Brasil. Não há futuro para uma indústria forte e inovadora sem tecnologia de ponta”, afirma.

O dirigente da CUT-RS ressalta que o caminho é fortalecer a resistência, a exemplo dos funcionários da Ceitec, que deram um abraço simbólico ao prédio da empresa, junto ao sindicato que representa a categoria, na última quarta-feira (10). Ele lembra que nos últimos anos várias alternativas foram debatidas para potencializar a empresa e que agora é momento de “pressionar o governador Eduardo Leite (PSDB) e os parlamentares gaúchos para barrar esse tremendo retrocesso”.

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O presidente do STIMEPA, João Batista Massena, também lamentou a intenção do governo, que vai impactar a vida de centenas de famílias e a sociedade como um todo. “Estaremos junto aos trabalhadores e às trabalhadoras da Ceitec em mais essa batalha para impedir o desmonte do estado brasileiro”, disse.

O Brasil, entre as grandes economias do mundo, é um dos poucos que não domina a cadeia de produção de circuitos integrados. China, Rússia e Índia são países que investem pesadamente nesse setor. Países com economias menores que a brasileira já possuem indústrias de microeletrônica que representam parte significativa de seu PIB, como Coréia e Malásia.

Punhalada na indústria 4.0 do Brasil

Para o engenheiro, professor e ex-deputado estadual Adão Villaverde, a extinção da Ceitec “é uma punhalada na estratégia da indústria 4.0 do Brasil”. Ele foi um dos principais articuladores da criação da empresa, quando era secretário de Ciência e Tecnologia no governo Olívio Dutra.

“Tivemos uma disputa grande com São Paulo, mas lá o projeto seria uma espécie de laboratório dentro da Universidade de São Paulo (USP). A proposta gaúcha agradou mais por ser mais ampla e envolver diversos atores”.

O projeto ganhou forma em 2000, quando um protocolo de intenções foi firmado entre os governos municipal, estadual e federal, instituições de ensino superior e empresas privadas (incluindo a Motorola). As atividades do centro de design, onde são desenhados os projetos de chips, começaram nos parques tecnológicos da UFRGS e da PUCRS, em 2005. No mesmo ano, também começou a construção do prédio.

Em 2008, o governo Lula (PT) decidiu encampar o projeto e, por meio de decreto presidencial, foi criada a Ceitec como empresa pública federal. Em 27 de março de 2009, o prédio administrativo e o Design Center da empresa foram inaugurados. Em 5 de fevereiro de 2010, Lula inaugurou a chamada Sala Limpa da fábrica.

“Não dá para confundir os limites da Ceitec com o seu potencial estratégico. Nunca foi o propósito ser uma gigante global de semicondutores, e sim uma indutora da política microeletrônica do país, o que de fato aconteceu”, explica Villaverde. Em artigo publicado no Jornal do Comércio desta segunda-feira (15), ele alerta que o fim da empresa seria “a condenação e a submissão, tecnológica e inovativa, das futuras gerações”.

Sabotagem no governo Temer

No governo Dilma (PT), a Ceitec esteve focada em um projeto de desenvolvimento de microchips para passaportes. Era algo inovador que serviria de referência para nações estrangeiras e poderia gerar mais de R$ 25 milhões em receita, conforme levantamento da própria empresa. A pesquisa foi abortada em 2016 por determinação do então presidente Michel Temer (MDB), que deu início ao processo de desmonte da estatal.

“A Ceitec foi sabotada por Temer e agora está para ser liquidada por Bolsonaro. Com sua extinção, não perderemos apenas um importante aporte de recursos financeiros, mas um laboratório fundamental para os pós-graduandos em engenharia das universidades federais do Rio Grande do Sul”, denuncia o secretário de Organização e Política Sindical da CUT-RS, Claudir Nespolo.

Segundo ele, “o processo de entrega da soberania nacional está a todo vapor. É a segunda fase da campanha de Bolsonaro e que agora começa a ser colocada em prática. O ministro da Ciência e Tecnologia não abraçou a causa do desenvolvimento nacional”.

Na contramão de outros países

Para o presidente da Sociedade Brasileira de Microeletrônica (SBMicro), Nilton Itiro Morimoto, acabar com a Ceitec seria um sinal de fracasso total e um retrocesso de anos. “A extinção pura e simples é um completo descalabro. Vai matar todo esforço que a comunidade de microeletrônica brasileira fez nos últimos anos para o desenvolvimento desta indústria”, alerta.

Isso, conforme Morimoto, vai na contramão da tendência de as nações procurarem a independência em segmentos estratégicos. Europa, Japão e Estados Unidos, por exemplo, estão criando fundos de investimentos para a atração de empresas de semicondutores para lá. “Com a pandemia da covid-19, todos viram que não foi uma boa estar na mão da China, que concentra muitas coisas nesta área”, avalia.

* Com informações da CUT-RS

Fonte: BdF Rio Grande do Sul

Edição: Marcelo Ferreira e Raquel Júnia

A indústria de chip. A máquina milagrosa de super

Indústria de chip. Aqui, vocês ficam sabendo, como três empresas europeias de tecnologia de ponta passaram a ser pioneiras da produção de super-microchips no mercado mundial de máquinas.

A indústria de chip. A máquina milagrosa de super

Como uma firma holandesa e duas alemãs se uniram para se tornar pioneiras na produção de super-microchips no mercado mundial de máquinas.

Cada vez menores e mais rápidos. Desde a invenção dos microchips, isto se tornou um princípio para os fabricantes, o que significa que cada vez mais transistores são instalados na mesma superfície. Os transistores são os elementos de cálculo dos computadores e, por conseguinte, a sua densidade aumenta a capacidade de cálculo. O caso é que eles são microscópicos. No iPhone 11 há sete bilhões de transistores que fazem trilhões de cálculos por segundo.

Mas também chega a hora de dizer: Basta! A Lei de Moore, um dogma da indústria de chip, segundo a qual o número de transístores em uma superfície se duplica de dois em dois meses, está chegando aos seus limites físicos. Até que novas tecnologias, como as dos computadores biológicos ou quânticos, estejam aptas para o mercado, a indústria tem poucas possibilidades. Ela precisa de uma nova ferramenta para instalar mais transistores, pois a inteligência artificial e a realidade virtual exigem cada vez mais  rendimento.

O fabricante holandês de sistemas de litografia ASML, junto com duas empresas alemãs – a Zeiss, empresa de óptica, e a Trumpf, fabricante de laser – desenvolveram exatamente uma tal ferramenta, o sistema “XE:3400B” para a litografia EUV. Esse sistema pesa 180 toneladas e custa cerca de 120 milhões de euros. Sua tecnologia laser produz uma luz extremamente ultravioleta, com a qual chips muito mais potentes podem ser fabricados.

No processo de gravação em transistores de silício, o comprimento de onda da luz assume um papel essencial. Quanto mais curto for o intervalo entre as ondas, tanto mais alto será o teor energético da luz e mais precisas e finas serão as gravações.

A luz do novo sistema tem um comprimento de ondas de apenas 13,5nm. Até agora, a indústria trabalhou com 193nm. Essa enorme redução possibilitou transistores do tamanho aproximado de cinco nanômetros. Para ter uma ideia de quão ínfimo isso é, fazemos uma comparação: reduzir uma bola de futebol a um nanômetro, seria como reduzir a Terra ao tamanho de uma bola de futebol. Só a Zeiss possui o conhecimento técnico do espelho e só a Trumpf o do laser. Ambas as duas são Hidden Champions – médias empresas, líderes no mercado mundial em seus setores. A indústria global de chip depende agora das suas inovações.

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Por que a Fiat cresce enquanto as outras sofrem na pandemia

Entenda como o bom trabalho de marketing, produto e planejamento fez a marca superar a crise dos semicondutores e chegar à liderança

Por que a Fiat cresce enquanto as outras sofrem na pandemia

O Grupo F C A, é forte!A Fiat é de longe a maior montadora de veículos,hoje em dia aceita que dói menos,e ainda é dona de marcas como a Jeep,Masseratti,Ram,Alpha Romeu,dog,Crisley,Lancia, Iveco,e a marca mais famosa do mundo,a Ferrari que tem suas ações separado, é um conglomerado gigantesco só quem foi a Itália pode opinar com mais precisão

A marca mais famosa do mundo?kkk, todas marcas, do grupo F C A, são derrotadas, no mercado, americano e europeu, e a Ferrari não é mais do grupo Fiat, desde 2016, não quis se suja com marca de pobre, vc acha que um Fiat mobi vende porque é muito bom? Não, mesmo

“Marca de pobre”??? Faz-me rir. Desde quando “pobre” têm condições de comprar carros? Ahhh tá, são os “pobres” dentre os que têm alguns 50 ou 90 mil reais. Tudo bem! Mas, não reconhecer o sucesso de outros é também uma característica de “pobre”. Pobre de cultura e senso crítico. Mas, tudo bem! Vida que segue! A Fiat é boa para a economia do Brasil. Avante!!!

Meu amigo tanto o mobi como o uno vende mais para as empresas firmas realmente a fiat na europa e nos estados unidos nao vende muito ate pq nao tem muita relevancia ate pq a maior fabrica da fiat fora da italia e no brasil se eu nao me engano a fiat nem carro da italia produz so no brasil e na argentina e em outros paises da nossa amada so que nao america do sul eu acho que a fiat vende.muito no brasil pq a marca consegiu se adapta ao mercado e se vc ve os preços dela comparados com os concorrentes nao e caro

Os italianos são bons vendedores. Simples assim. Veja os resultados agressivos dos produtos da Stellantis… Se não tem insumo, eles fazem aparecer! O bom restaurante sempre tem o prato no cardápio. Se não tiver, pega o ingrediente no vizinho…

A Fiat só cresce porque é Carro de pobre é o Brasil está cada Vez mais pobre! Ninguém sai pra comprar Mobi se pode sair pra comprar Polo. O Brasil de hoje é para ricos, basta analisar os carros do topo. Só Crescem!

Parabéns para Fiat jogada de mestre

Mas que conversa mole e essa! Qualque um sabe que os carros da Fiat sai os mais ultrapassados, com pouca tecnoligia embarcada e plataformas com mais de 20 anos. Por outro lado, é a que maisatende locadoras e no mercado de UBER substituiu a GM, que nao tem carros para entregar.Uma prova que o problema é temporario e localizado é que a VW, apesar de algumas paralizações manteve os niveis de vendas anteriores. A Fiat chega a vender Argo por 49 mil. Quero que me digam que eletronica embarcada tem num MOBI, que nem direcão eletrica tem; Argo so tem 2 air bags; a Strada apesar da aparencia moderna, é um remendo de 3 plataformas antigas. Agora lancou o Pulse, e enganando o consumidor dizendo que usa plataforma nova, a tal MLA, que não passa da plataforma requentada do Argo

Entendo que a empresa deve sempre atualizar-se. Mas fica complicado quando se subtrai um modelo e não supre com outro.

Exemplo: palio weekend

Este modelo superou a parati e simplesmente foi retirada.

A Fiat Strada tinha problemas de espaço, principalmente para os passageiros do banco traseiro e isso ainda não foi resolvido….Continua apertado para três ocupantes.Pelos comentários dos especialistas, percebemos q o fator “lucro rápido” substituí os interesses dos usuários.

Quanto a agilidade na substituição de peças e fornecedores, isso não é uma qualidade, é um tremendo problema. E vai estourar na mão do cliente. Cuidado!

Obrigado! Eu queria MUITO entender isso e vc explicou muito bem… tenho amigo dono de concessionaria e ele mesmo não sabia responder o por quê

Esqueceu de mencionar a grande quantidade vendida para frotistasAlgo em torno de 50%

Sim, e como os outros nao tem carros para entregar, porque o unico pecado foi produzirem carros mais modernos,então os frotistas correm para a Fiat. Pode ver que o crescimento está quase todo em cima de Argo e Mobi. Ate o Uno que vendia 1000 por mes, passou a vender 3000. Unica excessão e a Strada, que subiu de 6 mil para 9 mil.

Sua colocação não é de tudo verdade. Vc já viu a quantidade de tecnologia que veio neste novo Compass? E impossível que tenha menos semicondutores que qualquer Onix e mesmo assim ela não parou. Pelo que li, a GM tirou semicondutores daqui e levou eles para mercados que são mais lucrativos (Europa e EUA) para não parar lá. Já FIAT não fez está estratégia, até pq aqui é o maior mercado dela.

Esqueceu de mencionar a grande quantidade vendida pra grotescas,algo em torno de 50%

Esta é a pergunta mais fácil de responder, porque brasileiro não sabe comprar carro. Triste o país em que entre os 5 carros mais vendidos 4 são Stelionatis.

Agora tá claro o porquê de tanto sucesso da FIAT! Obrigado pela análise.

Gosto muito do Argo, mas além estar ansioso por ver o 1.0 turbo no modelo, ele, como parece que vai ser com o Pulse vai continuar devendo airbags cortina. Se houver um batida forte só nos restará rezar por quem estiver nos bancos de trás?

EU DIRIA QUE PELA ORDEM SERIA PRODUTO. MARKETING E PLANEJAMENTO. RELAÇAO CUSTO BENEFICIO É BOA. TENHO FIAT DESDE LANÇAMENTO DO 147, NUNCA TIVE PROBLEMA COM A FIAT. AGUARDE A STELANTS NAO DEMORA SERA A MAIOR DO MUNDO.

Estar no topo não é necessariamente sucesso, analisem o desempenho econômico de cada montadora, ex: ganhar dinheiro com um carro de luxo, ou com 2 carros populares, tem muita coisa a ser analisada.

Estar no topo, no Brasil, é resultado da competência. Ninguém chega no topo sem sucesso

E o marketing está também nesta reportagem, uma propaganda mal disfarçada. Só faltou colocar #FiatáComTudo.

No caso da Fiat saiu no lucro por vender prdutos ultrapassados, com bem menos eletronica que os concorrentes.

Market share perdido(GM) será difícil de recuperar, já diziam os especialistas em marketing

Não quando voce tem um produto mais moderno, bem superior. E so comparar Argo com Polo e Onix.

Saber prever o futuro, ousar, arriscar. Esse é e sempre será o segredo do sucesso

Notifique-me por e-mail se alguém responder ao meu comentário.

Ceitec: estatal é única na América Latina a fazer chip no silício

Apple, Samsung, Microsoft, Amazon, Facebook, Google entre outras: aqui você sabe tudo sobre as maiores empresas de tecnologia.

Ceitec: estatal é única na América Latina a fazer chip no silício

O presidente Jair Bolsonaro editou decreto na quarta-feira (16) que autoriza a liquidação do Centro Nacional de Tecnologia Eletrônica Avançada (Ceitec), empresa que ficou conhecida como “estatal do chip do boi”. Mas essa alcunha chega a ser pejorativa perto da capacidade técnica do Ceitec: a fábrica é a única da América Latina capaz de produzir chip no silício, do começo ao fim.

Ali são feitos diferentes tipos de chips, etiquetas eletrônicas e sensores —os usos mais populares são as etiquetas do sistema de pagamento automático de pedágios e estacionamentos, e a identificação de produtos, gado e medicamentos por RFID (circuito integrado que não requer bateria).

Milhares de chips desse tipo, feitos com tecnologia 100% nacional, já foram vendidos pela empresa.

“Temos sofrido bastante com essa história do chip do boi, é meio pejorativo. As pessoas precisam saber que menos de 1% do nosso faturamento vem disso”, explica Rodrigo Palmieri, especialista em tecnologia eletrônica avançada e gerente do Ceitec. “Temos capacidade de pegar o silício virgem e nele crescer as estruturas e fazer o processo físico-químico necessário para no final construir um circuito integrado que funcione.”

O silício é um material fácil de achar, sendo considerado o segundo mais abundante na crosta terrestre, atrás apenas do oxigênio. Ele é utilizado nos principais componentes eletrônicos que conhecemos atualmente, sendo a base para processadores de computadores, tablets e smartphones. Atualmente, as empresas brasileiras só fazem o capsulamento dos chips que são produzidos em empresas na Ásia, Europa ou Estados Unidos.

“Mundialmente, tem uma empresa que projeta, uma que produz, outra que testa. Essa característica do Ceitec de desenvolver o projeto, produzir e testar é única no mundo. O Ceitec teve que abranger várias áreas”, diz Julio Leão especialista em computação e porta-voz da Associação dos Colaboradores do Ceitec, que faz campanha para que a estatal não seja encerrada.

Diretor da Sociedade Brasileira de Microeletrônica, Jacobus Swart também defende que não temos outros laboratórios completos no país nesse sentido. “O Brasil não pode ficar fora dessa área. Tecnologia é cada vez mais importante para a economia e sociedade. Renunciar a isso seria abrir mão de um futuro promissor para o país”, afirma.

Tilt questionou o Ministério da Ciência e Tecnologia sobre os possíveis prejuízos relacionados ao encerramento do Ceitec, mas até o momento não obteve retorno. Assim que o tiver, essa reportagem será atualizada.

De acordo com a secretaria-geral da Presidência da República, estudos mostraram que a liquidação da empresa seria a “alternativa adequada” para otimizar o gasto público e representará uma redução de despesas de R$ 80,5 milhões. O Ceitec depende de recursos do Orçamento federal para bancar despesas de custeio e com pessoal. A estatal registrou prejuízo de R$ 23,9 milhões em 2017, R$ 49,6 milhões em 2016, e R$ 31,2 milhões em 2015.

De acordo com Júlio Leão, esse prejuízo seria revertido em pouco tempo. “O amadurecimento de uma empresa de semicondutores é curva longa, na casa dos 20 anos. Saímos de R$ 9 milhões de faturamento para R$ 13 milhões em 2020. A previsão estimada para 2021 era de R$ 20 milhões. Até 2024 poderíamos empatar o quanto a gente custa e consegue faturar”, diz.

Um projeto recente do Ceitec foi bastante elogiado pela comunidade internacional de tecnologia. A estatal conseguiu desenvolver um chip logístico que possui um quarto da área do chip original —que hoje são utilizados nos cartuchos das impressoras HP.

Uma lâmina de silício possibilita a fabricação de 40 mil chips em uma lâmina de 8 polegadas. Com a evolução desenvolvida pelo Ceitec, será possível produzir 120 mil chips em uma lâmina.

“Com isso, conseguimos reduzir custos de fabricação e o custo final. Isso vem sendo desenvolvido há dois ou três anos, estamos fazendo os últimos ajustes para fazer o lançamento”, explica Eduardo Zenzen, superintendente da fábrica.

Outro projeto de sucesso foi feito para uma das maiores mineradoras do Brasil. “Conseguimos desenvolver tags para serem colocadas em vagões e isso gerou uma economia de R$ 1 milhão para a empresa, porque o valor da tag caiu de R$ 50 para R$ 18, com a versão nacional”, conta Palmieri.

Na área da saúde, a estatal também desenvolveu sensores eletroquímicos que facilitam na detecção precoce de algumas doenças como o câncer e até mesmo a covid-19.

Um dos projetos mais promissores do Ceitec diz respeito à segurança nacional: o chip para passaporte, composto por um microprocessador, que grava as informações do viajante, e um software embarcado, que provê as funcionalidades do e-passaporte.

O produto, chamado CTC21001, já recebeu a certificação internacional de segurança Common Criteria, essencial para a produção e comercialização do produto. “Trata-se de um assunto de segurança nacional, não é recomendável que se compre esse tipo de chips de empresas do exterior”, explica Palmieri.

Segundo Julio Leão, se a fábrica for fechada, vai comprometer um acordo feito com a Casa da Moeda, que apoiou o projeto e se comprometeu a comprar o produto quando ele fosse desenvolvido. “O Ceitec deixa de faturar R$ 15 milhões por ano pelo não cumprimento desse acordo”, afirma ele.

Tilt entrou em contato com a Casa da Moeda, que confirmou que “foi firmado um acordo de cooperação técnica/convênio que tinha o objetivo de desenvolvimento conjunto de um chip compatível para suportar tecnologias de passaportes”, mas que “as soluções técnicas e comerciais não foram concluídas e/ou aprovadas, segundo as exigências de segurança e qualidade exigidas pelo cliente, neste caso a Polícia Federal”.

Na mesma nota, o órgão disse que não compra o chip separado, mas a capa do passaporte contendo o chip homologado e antena embarcados. “Assim, o chip é adquirido pelo fornecedor das capas de passaporte, conforme as exigências e requisitos técnicos do cliente e regras de mercado”.

Os responsáveis pela área de tecnologia do Ceitec defendem ainda que a empresa poderia ser bastante estratégica para dispositivos do 5G, pois pode produzir chips a partir de nitreto de gálio —um semicondutor que substitui o silício na tecnologia 5G e pode lidar com as altas frequências usadas nas redes, consumindo menos energia e ocupando menos espaço do que outros materiais de chip.

“O que temos aqui hoje já daria para começar, sem precisar de mais investimentos. Temos know how e as máquinas compatíveis com essa tecnologia. Com mais investimentos, conseguiríamos avançar em dispositivos mais complexos da estrutura 5G”, afirma Pamieri.

O decreto assinado em dezembro pelo presidente Jair Bolsonaro autoriza a liquidação do Ceitec e a absorção por organizações sociais (OS) das suas atividades direcionadas à pesquisa científica, ao desenvolvimento tecnológico e à inovação em microeletrônica. A dissolução da empresa havia sido aprovada em junho pelo Conselho do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), colegiado formado por ministérios e bancos públicos, além da Presidência da República.

Isso não significa, necessariamente, a extinção da empresa. Em setembro, o jornal “O Estado de S. Paulo” teve acesso a um relatório do Tribunal de Contas da União que apontava não haver argumentos suficientes para a extinção do Ceitec. Segundo a reportagem, trocas entre membros do grupo responsável por avaliar a empresa pública resultaram em decisão enviesada e desequilibrada. O TCU tomou conhecimento disso e pediu acesso aos estudos realizados sobre a Ceitec.

Procurado, o TCU disse que o processo, de relatoria da ministra Ana Arraes, está restrito às partes e não há documentos públicos. Sobre o relatório obtido pelo Estadão, afirmou que o documento “não é uma decisão do TCU, trata-se de posicionamento da unidade técnica que ainda será apreciado pelo relator e pelo plenário.”

Em paralelo, o PDT ajuizou Ação Direta de Inconstitucionalidade junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) que pede a suspensão da privatização do Ceitec e outras cinco empresas, entre elas a Casa da Moeda. Segundo o partido, a venda dessas empresas não pode ser feita por meio de decretos e resoluções, mas por lei específica aprovada pelo Congresso Nacional.

“É um ato unilateral do presidente, abaixo da lei. Se ela (empresa estatal) foi criada por uma lei, o Congresso deveria extinguir a lei para poder a empresa ser liquidada”, afirmou Lucas de Castro Rivas, advogado do PDT.

De acordo com ele, se o Supremo disser que o decreto é inconstitucional, o governo terá de mandar a lei para o Congresso. E se a decisão do STF for de que o governo pode fazer a dissolução por decreto, “o Congresso ainda terá a prerrogativa de suspender esses decretos por meio de decretos legislativos”, diz.

“É preciso achar uma solução para que o Brasil mantenha essa infraestrutura. A forma pode ser aprimorada e é importante que seja o mais eficiente possível. Não somos contra uma eventual privatização, mas não podemos simplesmente fechar e vender as máquinas. Isso é um enorme prejuízo para o país”, afirma Jacobus Swart.

Referência:
outraspalavras.net
caesegatos.com.br
www.brasildefato.com.br
www.deutschland.de
autopapo.uol.com.br
www.uol.com.br

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