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Covid-19. Ordem dos Médicos pede prudência na vacinação das crianças até aos 16 anos

Grupos ligados ao autismo e pessoas com deficiência defendem a priorização na vacinação

Uma carta aberta (veja aqui na íntegra), assinada por diversas instituições e grupos, pede a priorização das pessoas com deficiência nos planos de vacinação. O documento é endereçado a todos os gestores de Saúde, das três esferas: federal, estadual e municipal. A carta cita, inclusive, o pedido da Comissão de Direitos Humanos da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) no mês passado (11.dez.2020), num ofício que cita toda a legislação que justificaria tal medida. – Leia mais!

Grupos ligados ao autismo e pessoas com deficiência defendem a priorização na vacinação

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Autistas e demais pessoas com deficiência não estão priorizados no Plano Nacional de Imunização no Brasil. E este tem sido um assunto que ganha cada vez mais repercussão nas redes sociais com a chegada da possibilidade real de nos vacinarmos contra o novo coronavírus. Cresce dia após dia um movimento pedindo a priorização dessa população nos planos de vacinação durante a pandemia.

Uma carta aberta (veja aqui na íntegra), assinada por diversas instituições e grupos, pede a priorização das pessoas com deficiência nos planos de vacinação. O documento é endereçado a todos os gestores de Saúde, das três esferas: federal, estadual e municipal. A carta cita, inclusive, o pedido da Comissão de Direitos Humanos da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) no mês passado (11.dez.2020), num ofício que cita toda a legislação que justificaria tal medida.

Segundo alguns médicos que a reportagem da Revista Autismo ouviu, o motivo das pessoas com deficiência não serem consideradas parte do grupo de risco para os planos de imunização é o seguinte: o risco avaliado nos planos é o risco de a pessoa desenvolver uma forma grave de Covid-19 (precisando de internação) e risco de morte. Não se leva em conta o risco de contaminação. Assim, segundo essa análise, uma criança de 10 anos com deficiência intelectual (DI) e outra criança da mesma idade, sem deficiência, têm, ambas, o mesmo risco de desenvolver uma forma grave de Covid-19. Não se leva em conta que a criança com DI tem mais risco de contaminação, pois não consegue seguir todas as regras de higiene e conduta para evitar o contato com o novo coronavírus. Assim acontece também com um adulto cego e um adulto que enxerga (vidente), ambos têm a mesma chance estatística de desenvolver Covid-19 grave; ou ainda um idoso cadeirante e um não cadeirante, novamente, os dois com as mesmas chances. Em resumo: ignora-se o risco de ser contaminado, avaliando apenas o risco da pessoas desenvolver uma forma de Covid-19 grave ou morte.

Para Paula Ayub, diretora do Centro de Convivência Movimento, temos que discutir o tema. “Sou psicóloga e trabalho com pessoas com autismo há mais de 30 anos. E, nesse período, fui chamada para acompanhar essas pessoas, jovens, crianças, adultos, em vários hospitais, na rede pública e privada, por conta de uma total falta de aptidão ou de costume dos médicos e enfermeiros atender essas pessoas e dar o tratamento necessário. Já tive de fazer plantão em UTI e pedir para o médico oferecer sedação e agir rápido em função do tempo de reação daquela pessoa ao medicamento. Já tive que correr atrás de enfermeiro e ouvir um ‘não consigo segurar’ e eu ter que dizer ‘isso não é força, é o modo de fazer’ para conseguir segurar a pessoa. Já presenciei uma extubação em que o médico pedia ao paciente para apertar sua mão se estivesse lhe ouvindo. E eu tive de explicar que não era assim, que ele não iria apertar a mão, que a gente precisava procurar outras formas de observar se ele estava reagindo, outros sinais”, contou Paula, que reconheceu que na rede pública encontra profissionais com aptidão até maior, pela prática com a diversidade de pacientes que atendem.

Ela explica que “para fazer um exame de sangue, diversos outros procedimentos, tem que ter acompanhamento”. E ainda questiona: “Se uma pessoa dessas precisa ir para a UTI com Covid-19, no caos que nós estamos, como essas pessoas vão se salvar? Como teremos dois ou três médicos para atender? Quatro enfermeiros para segurar? Como teremos um acompanhante lá dentro o tempo todo? Pensando nisso, temos que preservar essas pessoas com deficiência e preservar o serviço de saúde também!”, argumentou ela de forma enfática.

“Muitas das crianças e adultos com síndromes raras colocam tudo na boca. Inclusive o vírus da Covid-19. Além disso, muitas têm deficiência imunológica. Por esses dois principais motivos, pedimos prioridade na vacinação”, declarou Sandra Doria Xavier,  médica, mãe do Caio de 8 anos (neurotípico) e do Luis Fernando de 15 anos (com síndrome de Cri du Chat), que representa a ABCDC (Associação Brasileira da Síndrome de Cri Du Chat).

Para Anderson Almeida Batista, assistente social e especialista na área da deficiência visual, “é fundamental que pessoas com deficiências sejam consideradas nos grupos prioritários de acesso à vacinação. No caso específico das pessoas cegas e com baixa visão, por terem que aproximar objeto dos olhos, tocar corrimões, botoeiras, objetos e de necessitarem de atendimento especializado, da ajuda de terceiros em algumas situações específicas, dentre outras, isso as coloca em vulnerabilidade e maior risco de contrariem a Covid-19”, relatou ele, que atua na Instituição Laramara desde 1999.

Alguns especialistas ouvidos temem que a quantidade de pessoas com deficiência, mas que não precisam realmente de priorização na “fila” da vacina contra Covid-19 pelas suas boas condições de saúde e características, inviabilize o pedido por tornarem o grupo grande e generalizado  demais diante da inicial pouca oferta de vacina.

Assinam o documento: a Revista Autismo, o 
Instituto Rafa, o 
Centro de Convivência Movimento, a 
Associação de Pais Inspirare, a Associação Paulista de Autismo, a 
Escola Mosaicos, a Instituição Laramara, a REUNIDA (Rede Unificada nacional e Internacional pelos Direitos dos Autistas), o MOAB (Movimento Orgulho Autista Brasil), a 
Incluir Treinamentos, a 
Associação Paulista de Autismo, o 
Instituto UniTEA, o Movimento Down, o 
CODDEDE (Conselho das Pessoas com Deficiência do DF) a Amaviraras, o projeto
”A Fada do Dente”, a 
Abre-Te (Associação Brasileira de Síndrome de Rett), a 
Pastoral das Pessoas com Deficiência da Região Episcopal Ipiranga (SP) e Fórum da Pessoa com Deficiência da Regional Vila Mariana (SP), o 
Instituto Lagarta Vira Pupa, além de mães de autistas e demais pessoas com deficiência.

O documento está também num site de abaixo-assinado (neste link) para quem quiser divulgar a ação e também assinar o documento virtualmente “engrossar o coro” desta solicitação ao Poder Público.

A seguir, a pedido de inúmeras pessoas, deixamos um link para quem quiser baixar o arquivo da carta aberta e assiná-la, para enviar às autoridades que tiverem contato e reforçarem tal pedido.

Imagens da campanha do Movimento Down:

Vacinação de crianças: OMS diz que não é prioridade agora

A Organização Mundial da Saúde divulgou vídeo hoje explicando por que considera que crianças não devem ser prioridade na fila de vacinação neste momento

Vacinação de crianças: OMS diz que não é prioridade agora

A OMS (Organização Mundial da Saúde) divulgou hoje um vídeo explicando por que não recomenda que a vacinação de crianças seja uma prioridade neste momento da pandemia do novo coronavírus. Em maio, o órgão já havia criticado países que avaliavam imunizar crianças.

Hoje, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou o uso da vacina da Pfizer em crianças a partir dos 12 anos de idade, algo que já acontece nos Estados Unidos. Porém, por enquanto, a vacinação no Brasil só está autorizada pelo Ministério da Saúde em adultos com 18 anos ou mais.

No vídeo, Soumya Swaminathan, cientista-chefe da OMS, diz que, apesar de poderem ser contaminadas e transmitir o vírus, as crianças correm um “risco muito menor” de contrair a forma grava da covid-19 na comparação com adultos.

Swaminathan ainda lembra que a quantidade insuficiente de doses para imunizar a todos fez com que, de início, a OMS recomendasse a priorização da vacinação de profissionais da saúde, trabalhadores da linha de frente, idosos e pessoas com comorbidades, “que estão sob alto risco de exposição ao vírus”.

“Proteja eles primeiro, porque queremos reduzir as taxas de letalidade”, disse. “Depois, gradualmente ir por faixa etária até chegar às crianças.”

Segundo a cientista-chefe, crianças que tenham comorbidades podem ser priorizadas quando houver doses disponíveis. “Mas crianças, como grupo, formam um grupo de menor prioridade.”

Swaminathan lembra que laboratórios têm feito estudos sobre a aplicação de vacinas contra covid-19 em crianças, começando da faixa de 12 a 18 anos. Ela diz que, quando tiver esses dados, a OMS deverá analisá-los e “fazer recomendações sobre como vacinas deve ser usada”, considerando dosagem, intervalo, precauções, entre outros fatores.

Ela diz que as crianças, com exceção daquelas mais suscetíveis a doenças, não devem ser consideradas uma prioridade em razão da quantidade insuficiente de doses para vacinar todos. “Como temos uma quantidade limitada de doses, precisamos usá-las para proteger os mais vulneráveis.”

A cientista, porém, ressalta que as crianças não precisam estar vacinadas para voltarem à escola. Swaminathan citou como exemplo “vários países em que escolas foram mantidas abertas com sucesso”. Ela diz que, se os trabalhadores da escola e os adultos da comunidade estiverem vacinados, as unidades de ensino podem reabrir “seguindo as medidas de saúde pública que foram aconselhadas para a segurança escolar”.

Procurado nesta manhã pelo UOL, o Ministério da Saúde ainda não indicou se pretende incluir os menores de idade no público da vacinação contra a covid-19. De acordo com dados do dia 7 de junho, indicados no último boletim epidemiológico do ministério, as faixas de recém-nascidos, 1 a 5 e de 6 a 19 anos de idade, somam cerca de 10 mil hospitalizações de covid-19 neste ano. A faixa entre 20 e 29 anos, tem mais que o dobro: 23,6 mil, aproximadamente.

Secretário de Saúde de São Paulo, Jean Gorinchteyn disse, em pronunciamento à imprensa nesta manhã, que a aprovação da Anvisa foi uma “grande notícia, uma vez que nós realmente precisamos estender a proteção para outras faixas etárias de uma forma absolutamente segura”.

Ele, porém, lembrou que, para usar a vacina da Pfizer em menores de idade, precisa da “deliberação do ministério”. “Além do que, precisamos receber mais imunizantes par dar seguimento a essa faixa etária.”

Dimas Covas, diretor do Instituto Butantan, produtor da CoronaVac, disse que também irá enviar à Anvisa documentação para que o imunizante seja utilizado em crianças. Na China, o imunizante já foi liberado para ser usado em pessoas a partir de três anos de idade.

“Agora, a questão fundamental é que, quando você protege a população adulta, essa proteção se estende também à população de crianças e adolescentes”, comentou, citando como exemplo a cidade de Serrana, no interior de São Paulo, onde todos os adultos receberam a CoronaVac. Lá, os números de infecção caíram em todas as faixas etárias após a imunização.

Para Covas, é importante vacinar as pessoas com mais de 18 anos de idade “o mais rápido possível para trazer esse cinturão de proteção”.

Ordem pede prudência com a segunda dose. Enfermeiros reportam efeitos secundários incapacitantes, mas normais

A 2.ª dose da vacina pode trazer febre e dores e obrigar os profissionais de saúde a ficar em casa. É o sistema imunitário a reagir – bem. Infarmed di…

Ordem pede prudência com a segunda dose. Enfermeiros reportam efeitos secundários incapacitantes, mas normais

A Ordem dos Enfermeiros recomenda que a segunda dose da vacina contra a Covid-19 seja dada de forma faseada aos profissionais de saúde — e não todos no mesmo momento — devido aos relatos de efeitos secundários incapacitantes que impedem os profissionais de irem trabalhar. A Ordem pede “prudência na segunda toma da vacina” para que “não se verifiquem problemas acrescidos na disponibilização de recursos humanos para os diversos serviços hospitalares”. Infarmed refere que menos de 1% do total de vacinados reportou efeitos indesejáveis.

“No seguimento de vários relatos de enfermeiros, que, após a toma da segunda dose da vacina contra a Covid-19, manifestaram efeitos secundários incapacitantes, situação que os obrigou a ficarem em casa, sem poderem trabalhar, a Secção Regional do Centro aconselha todos os conselhos de administração dos grandes centros hospitalares a terem cautela e prudência na decisão de vacinar todos os enfermeiros ao mesmo tempo”, lê-se no comunicado enviado às redações.

O Comité Consultivo em Práticas de Imunização, um painel de especialistas que ajuda os Centros de Controlo e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos a definir as políticas de vacinação, já tinha feito uma recomendação semelhante, refere o STATNews. O comité aconselhou a vacinação faseada dos funcionários, como por exemplo não vacinar todo o pessoal das urgências ao mesmo tempo, sob pena de poder ficarem sem pessoas para trabalhar devido aos efeitos secundários da vacinação.

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Os efeitos secundários mais comuns são dor, inchaço e vermelhidão na zona da injeção. Também pode surgir febre, calafrios, cansaço, dor de cabeça, dores musculares e nas articulações, que são mais comuns depois da toma da segunda dose da vacina da Pfizer/BioNTech, que está a ser administrada em Portugal, como refere a agência norte-americana do medicamento, FDA (Food and Drug Administration).

Os jovens adultos, com um sistema imunitário mais robusto, também relataram mais efeitos secundários que os mais velhos. Estes efeitos secundários surgem, exatamente, como resultado da resposta imunitária do organismo. Significam que a vacina está a despertar uma reação imunitária e não, necessariamente, que não seja segura.

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Estes efeitos secundários são comuns, surgem dentro de sete dias após a vacinação e são, normalmente, leves ou moderados, referem os Centros para o Controlo e Prevenção da Doença dos Estados Unidos (CDC). No entanto, também já foram registados efeitos secundários mais severos e incapacitantes, como aqueles reportados pela Ordem dos Enfermeiros.

Podem assemelhar-se a sintomas de gripe e podem até afetar a capacidade de desenvolver as atividades, mas deverão desaparecer em poucos dias”, referem os CDC.

Na maior parte dos casos, os efeitos secundários representam mais um desconforto, que passa em poucos dias, do que uma situação grave, ainda assim, os CDC avisam que se o inchaço ou vermelhidão no braço aumentarem ao fim de 24 horas (em vez de diminuírem) ou se não se sentir alívio dos sintomas ao fim de alguns dias, deve contactar-se um médico.

Para reduzir a dor ou desconforto no local da picada, refrescar a zona com um pano húmido e limpo e fazer exercício ao braço. Já no caso da febre, beber muitos líquidos e usar roupas leves.

Porque é que não se deve preocupar (muito) com as reações alérgicas à vacina contra a Covid-19

Em casos muito raros, mas que já foram reportados, a vacina da Pfizer/BioNTech — e, provavelmente, outras que usem a mesma tecnologia, como a da Moderna — poderão desencadear reações alérgicas graves que se manifestam no espaço de minutos ou até uma hora após a administração da vacina, refere a FDA.

Os sinais desta reação alérgica grave podem ser: dificuldade em respirar, inchaço da cara e garganta, aumento do batimento cardíaco, erupção cutânea por todo o corpo, tonturas e fraqueza. É por isso que as pessoas devem permanecer no local onde foram vacinadas durante algum tempo, para que estes sinais sejam vigiados.

“Estes podem não ser todos os efeitos secundários possíveis da vacina da Pfizer/BioNTech contra a Covid-19”, alerta a FDA. “Efeitos secundários sérios e inesperados podem acontecer.” A justificação está no facto de os ensaios clínicos ainda não estarem todos completos e de a fase de monitorização da vacina em larga escala estar agora a começar.

Perante o comunicado da Ordem dos Enfermeiros, o Infarmed respondeu ao Observador que os sintomas indicados “estão descritos no Resumo das Características do Medicamento (RCM) e eram, portanto, esperados”.

O Infarmed acrescenta que, até às 16 horas desta quinta-feira, tinham sido administradas 168 mil primeiras doses e 22 mil segundas doses — estas, apenas a profissionais de saúde.

De todas as pessoas que já foram vacinadas, o Infarmed indica que menos de 1% reportou efeitos indesejáveis, que podem ir de dor e inchaço no local da picada até febre, dores e outros sintomas que obriguem a alterar as atividades diárias.

“O Infarmed acompanha, juntamente com as restantes autoridades competentes dos Estados-membros da União Europeia e a Agência Europeia de Medicamentos, todas as notificações de suspeitas de efeitos indesejáveis associados a vacinas Covid-19”, refere a resposta ao Observador.

Atualizado às 20h10 com resposta do Infarmed

Referência:
www.canalautismo.com.br
www.uol.com.br
observador.pt

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