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Policiais retribuem carinho ensinando funcionária a ler e a escrever

Policiais retribuem carinho ensinando funcionária a ler e a escrever

A vida sofrida, que levou Maria do Socorro Alves a deixar sua cidade e tentar a sorte no Distrito Federal, poderia transformar a paraibana de 47 anos em uma pessoa amargurada. Em vez disso, a auxiliar de serviços gerais conquista todos que encontra pel

Policiais retribuem carinho ensinando funcionária a ler e a escrever

A vida sofrida, que levou Maria do Socorro Alves a deixar sua cidade e tentar a sorte no Distrito Federal, poderia transformar a paraibana de 47 anos em uma pessoa amargurada. Em vez disso, a auxiliar de serviços gerais conquista todos que encontra pelo caminho com seu jeito simples, positivo e carinhoso, inclusive um grupo de policiais rodoviários federais.

“Não faço nada obrigada. Eu sempre recebi muito carinho e respeito do pessoal. Então, resolvi ir além das minhas obrigações. Aí, sempre faço um bolo, uma tapioca ou um cuscuz e compartilho com todos porque sou muito bem tratada por eles”, explicou ela, a Ecoa.

Para retribuir a gentileza recebida, a equipe do Posto PRF da Ceilândia, na BR 070, decidiu ajudar Maria do Socorro a realizar um sonho: aprender a ler e escrever.

O trabalho está adiantado e ela não se aguenta de felicidade ao perceber sua evolução no dia a dia. Mãe de três filhas, cujo pai declinou às suas obrigações, a profissional deixou a Paraíba aos 23 anos e foi em busca de oportunidade para a família. Hoje, as filhas já estão casadas e seguem a vida.

Passado um tempo de convivência com os policiais, o bate-papo entre eles passou a ter um viés de amizade. Foi quando ela confidenciou que tinha o sonho de aprender a ler.

“Eu estava conversando com a [Patrícia] Dumont e disse a ela que não sabia ler. Mas que tinha muita vontade de aprender e que isso era um sonho meu. Ela olhou para mim e disse: ‘Eu vou te ajudar’. Começamos em fevereiro deste ano e eu já me sinto mais preparada. Meu desejo agora é continuar aprendendo. É uma gratidão tão grande que tenho por ela que nem sei como explicar em palavras”, destacou.

A menção da auxiliar de serviços gerais é à policial rodoviária federal Patrícia Dumont. Foi ela que liderou um movimento para ajudar a colega de trabalho.

“Conheci dona Socorro no fim de 2009, quando ela veio trabalhar conosco no posto. E desde que chegou ela já conquistou todo mundo com a dedicação, com o zelo, com a forma atenciosa de tratar a todos nós. Um dia estávamos conversando, ela contando um pouco da sua história de vida, que é bastante sofrida, foi quando ela me disse que faltava ainda um sonho a ser realizado, que era o de aprender a ler e escrever”, contou a policial, a Ecoa.

Patrícia e outras policiais iniciaram uma busca por escolas de alfabetização para adultos. No entanto, em razão da pandemia do novo coronavírus, a procura não teve êxito.

“Foi então que eu decidi que poderia ensiná-la. E comecei, durante os intervalos no meu plantão. Foi um aprendizado mútuo: ela aprendendo a ler e a escrever e eu aprendendo a alfabetizar. Depois de um tempo, eu propus aos meus colegas de equipe que comprássemos livros de português e matemática e eles adoraram ideia. A partir daí, ela começou a fazer grandes progressos. Já comecei a ensinar operações matemáticas de subtração.”

As aulas acontecem nas folgas da policial, no horário de almoço ou nos fins de plantões. Patrícia afirma que a colega é uma ótima aluna e tem muita dedicação.

“Tem muita força de vontade e isso faz toda diferença no aprendizado dela. Você ajudar alguém a realizar um sonho é muito gratificante. Às vezes, as pessoas podem achar que estou fazendo muito por ela, mas ver seu progresso e suas conquistas me dão uma enorme realização. E isso não tem preço”, diz a policial Patrícia Dumont, que está na PRF há 16 anos.

Com a evolução de Maria do Socorro, novas atividades começam a ser planejadas. “Ela já me disse que vai querer escrever um livro contando sua história. Acho maravilhoso ver esse tipo de sonho. Fico muito feliz de poder contribuir de alguma forma”, concluiu.

Referência

Policiais retribuem carinho ensinando funcionária a ler e a escrever
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