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Desinfetantes: tudo o que precisa saber sobre a química que mata germes

Desinfetantes: tudo o que precisa saber sobre a química que mata germes

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Desinfetantes: tudo o que precisa saber sobre a química que mata germes

Os desinfetantes são bons aliados na limpeza da casa e saber como funciona a química desses produtos é importante para que a sua utilização tenha a eficácia desejada. Com informações detalhadas, você ainda diminui o risco de possíveis alergias, irritações e/ou intoxicação.

Segundo especialistas ouvidos por Tilt, os componentes químicos mais usados na fórmula dos desinfetantes — aqueles que têm venda livre nas prateleiras dos supermercados — são:

Esses produtos químicos, de maneira geral, têm uma mesma forma de agir. Eles destroem o material genético dos microrganismos, incluindo aqui vírus, bactérias, fungos, protozoários e outros agentes causadores de doenças.

“Como os vírus são germes mais frágeis, as substâncias químicas (que normalmente têm carga positiva) são capazes de destruir as membranas (que têm carga negativa)”, explica o professor Reinaldo Bazito, do Instituto de Química da USP (Universidade de São Paulo).

Já o álcool a 70%, apesar de ter uma ação bactericida e virucida, não é considerado desinfetante, mas sim antisséptico. Para seres humanos, o ideal para limpeza é água e sabão.

“Por serem substâncias altamente tóxicas, o termo desinfetante não se aplica ao uso de animais. Eles só podem ser utilizados em objetos inanimados, como pisos, paredes, móveis, bancadas de trabalho e outras superfícies. Até mesmo as plantas têm produtos específicos para eliminar germes”, destaca Eduardo Alécio, professor de química do IFPE (Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Pernambuco).

Muitas pessoas têm o costume de misturar diversos produtos químicos, até mesmo diferentes desinfetantes, na tentativa de garantir uma maior eficácia na hora da limpeza. Especialistas orientam que essa não é uma boa prática e pode, inclusive, ter o efeito contrário.

Isso porque, embora os produtos não tragam em seus rótulos as indicações de incompatibilidade, ao serem misturados, um agente químico pode diminuir a ação do outro ou mesmo inativá-lo. Tampouco devem ser dissolvidos em álcool ou vinagre. Vários produtos químicos juntos podem reagir e até mesmo liberar substâncias tóxicas.

“Não devemos, por exemplo, misturar água sanitária com produtos à base de compostos fenólicos. Eles funcionam sozinhos e a mistura pode ser perigosa. O indicado é usar cada agente separadamente”, diz Bazito. Além dos ativos principais, os desinfetantes possuem outros ingredientes na fórmula e alguns deles podem ser bem perigosos se manuseados incorretamente.

O certo é primeiro fazer a limpeza e sanitização usando algum tipo de detergente (sabão) para remover a sujeira, e só depois usar o desinfetante. “Mesmo sendo de venda livre, a água sanitária, por exemplo, tem o PH elevado, é oxidante e pode provocar lesão na pele e nos olhos”, explica o professor do IFPE. O contato com a pele deve ser evitado.

Segundo Alécio, o consumidor precisa atentar para o rótulo, onde deve constar para quais germes o produto é eficiente. “Na embalagem, o fabricante deve informar em quais microrganismos o produto atua, se tem função bactericida, germicida, virucida ou fungicida. Ele só pode ser vendido como desinfetante se passar nos testes e comprovar eficiência contra esses germes”, ressalta.

Da mesma forma, a pessoa deve ficar atenta ao modo de preparo. Em algumas situações, diluir o desinfetante em água pode neutralizar sua ação. Em outras, a mistura com a água pode transformá-lo em um novo componente químico. Ou seja, a casa pode até ficar perfumada, mas não estará completamente livre dos microrganismos.

O hipoclorito de sódio diluído em água, por exemplo, forma o ácido hipocloroso. Então, na dúvida, sempre leia as instruções do fabricante. “É importante que o consumidor coloque a dosagem indicada pela empresa para determinado uso e deixe o produto agir pelo tempo indicado na embalagem, para completar a ação de desinfecção. Caso o saneante [substância usada para higienização] seja removido antes do tempo, pode não funcionar tão bem. Tampouco adianta usar uma dosagem maior do que a indicada”, acrescenta Eduardo Alécio.

O professor ressalta ainda que os desinfetantes comuns vendidos em supermercados possuem um baixo nível de desinfecção (para microrganismos mais simples) diante da necessidade de desinfetar uma área hospitalar, por exemplo. Para matar uma bactéria específica, como a da tuberculose, é necessário produto específico, que precisa de autorização para ser adquirido.

Lembra aqueles líquidos coloridos vendidos em garrafas PET? Cuidado. Os desinfetantes são produtos que precisam de responsável técnico, testes de comprovação de eficiência e autorização da Anvisa.

“O problema dos produtos clandestinos é que não temos ideia dos princípios ativos usados nele, sua concentração, se tem registro, para quais germes é eficiente, entre outras questões”, ressalta Reinaldo Bazito, da USP.

Outra dica importante para qualquer desinfetante: guarde-os fora do alcance de crianças e de animais de estimação.

Referência

Desinfetantes: tudo o que precisa saber sobre a química que mata germes
www.uol.com.br

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