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Como o risco de apagão e a crise de energia elétrica afetam SC

Como o risco de apagão e a crise de energia elétrica afetam SC

O agravamento da crise no setor de energia elétrica e o aumento do risco de apagão no país trazem consequências também para Santa Catarina. Embora a situação mais crítica dos reservatórios de hidrelétricas esteja no Sudeste, onde há apenas 21% da capacidade armazenada, é nesta região que estão cerca de 70% dos reservatórios que abastecem o Brasil. Isso pode colocar em risco também a energia destinada a outros estados. Além disso, o Sul aparece como o segundo sistema do país mais afetado pela falta de chuvas, com 27% do volume total de água armazenado nas barragens.

Como o risco de apagão e a crise de energia elétrica afetam SC

O agravamento da crise no setor de energia elétrica e o aumento do risco de apagão no país trazem consequências também para Santa Catarina. Embora a situação mais crítica dos reservatórios de hidrelétricas esteja no Sudeste, onde há apenas 21% da capacidade armazenada, é nesta região que estão cerca de 70% dos reservatórios que abastecem o Brasil. Isso pode colocar em risco também a energia destinada a outros estados. Além disso, o Sul aparece como o segundo sistema do país mais afetado pela falta de chuvas, com 27% do volume total de água armazenado nas barragens.

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As usinas de maior capacidade de Santa Catarina integram o chamado Operador Nacional do Sistema (ONS), órgão responsável por distribuir a energia gerada em todas as regiões do país de acordo com a demanda. Em tese, a energia gerada nas usinas de SC pode ser destinada a outros estados, assim como a demanda de eletricidade dos catarinenses pode ser suprida por produções de outras regiões.

O professor do departamento de Energia e Sustentabilidade do campus de Araranguá da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Giuliano Arns Rampinelli, explica, no entanto, que há limites para esse intercâmbio, e que em geral os estados acabam recebendo energia das regiões mais próximas – no caso de SC, dos outros estados do Sul e do sistema do Sudeste e Centro-Oeste.

– Quanto maiores forem as distancias, maiores são as perdas, e elas também impactam na conta de energia elétrica – ressalta.

A possibilidade de apagão e a crise no setor de energia elétrica decorre principalmente por conta da falta de chuvas. A média é considerada a menor dos últimos 91 anos, segundo dados do ONS.

O diretor-presidente da Celesc, Cleicio Poleto Martins, confirma que embora o maior problema de falta de chuvas e baixas nos reservatórios ocorra no Sudeste, regiões de Santa Catarina também enfrentam essa situação. É o caso da usina do Salto, em Blumenau, onde na última semana era possível passar a pé pelo local que forma o leito do rio.

Ele explica que como SC faz parte do sistema interligado, mesmo que o estado promova uma forte diminuição no consumo, o problema não será resolvido caso outros estados não façam o mesmo, porque a energia gerada aqui poderia ser direcionada para onde houver falta. Por isso, na avaliação dele, o empenho de economia precisa ser coletivo, de todo o país.

– O período chuvoso no Sudeste inicia em novembro. O esforço é para que a gente chegue a esse período sem que haja falta de energia. O governo federal tem instigado a população para que a gente consuma menos. Onde não tiver pessoas, apagar as luzes. Evitar o abrir e fechar geladeira de forma excessiva. São pequenas ações que podem colaborar e muito para o país nesse momento – apela.

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Santa Catarina participa da atividade de geração com diferentes tipos de fontes de energia. Segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o Estado tem atualmente 430 empreendimentos, entre usinas hidrelétricas, termelétricas, eólicas e outras unidades de menor capacidade, como as Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs).

Desse número, mais da metade (66%) são de energia hídrica, gerada a partir da passagem da água que movimenta turbinas em usinas ou pequenas centrais hidrelétricas. Esses empreendimentos também representam 65% da energia do país e são os que mais sofrem em período de falta de chuvas e baixa nos rios ou barragens, como o atual.

Com os reservatórios em baixa, é preciso recorrer a outras fontes de geração. As energias eólica e solar têm ganhado espaço por serem renováveis e gerarem baixo impacto ao meio ambiente. Em SC, representam quase 5% da capacidade de geração instalada segundo a Aneel. No país, já chega a 11%, conforme dados do ONS. Mas como dependem da existência de vento e de radiação, essas fontes nem sempre suportam toda a demanda de forma contínua.

A solução nos momentos de crise acaba sendo as termelétricas, que passam a ser acionadas em maior número diante de períodos de falta de chuvas. Em SC, usinas deste tipo, em geral com combustível fóssil e maior impacto à natureza, representam 17% do total da capacidade instalada. Por exigirem combustíveis como carvão, gás natural ou óleo diesel, têm um custo de geração maior. Então, quando o país precisa acionar mais termelétricas, entra em cena a chamada bandeira tarifária, que na prática trazem cobranças adicionais às contas de luz.

As bandeiras tarifárias foram criadas em 2015 e se dividiam entre verde (sem cobrança), amarela e vermelha – esta com dois patamares. Nesta semana, o governo anunciou a criação de uma nova faixa, a “bandeira de escassez hídrica”, que cria uma tarifa ainda maior, de R$ 14,20 a cada 100 kW consumidos em períodos críticos como o atual. Em uma fatura média de uma família de quatro pessoas, o valor extra pode representar até R$ 45 a mais em relação ao período de bandeira verde, quando não há quantia adicional.

Santa Catarina aparece como o 14º estado com maior capacidade de geração segundo o Sistema de Informação da Aneel, com 2,3% da produção do país. Minas Gerais (11,8%) e São Paulo (11,1%) lideram.

O número total de 430 usinas em SC listado pela Aneel, no entanto, reúne pequenos geradores e até unidades que produzem energia apenas para uso de uma indústria ou empresa específica. O professor de Energia e Sustentabilidade da UFSC explica que o grande volume de geração de energia do Estado vem das usinas hidrelétricas maiores, que integram o Sistema Interligado Nacional (SIN). Esse sistema é operado pelo ONS, que distribui a energia conforme a demanda.

As duas maiores usinas de SC em capacidade de geração segundo o ONS apresentam volumes de reservatório superiores à média da região Sul. Conforme o site da empresa que opera as unidades, Itá tinha nesta quarta-feira (1º) 54,5% do volume total de armazenamento e Machadinho, também entre o Oeste de SC e a divisa com o Rio Grande do Sul, 45,96%.

O site do ONS também traz dados sobre a situação dos reservatórios em outras usinas do estado que integram o sistema nacional. O menor volume até esta quarta-feira era o da usina de Campos Novos, no Meio Oeste, com 17,6% de energia acumulada no reservatório.

Machadinho: 44,87

Campos Novos: 17,60

Garibaldi: 66,05

Barra Grande: 24,07

Quebra Queixo: 52,53

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O professor do departamento de Energia e Sustentabilidade da UFSC, Giuliano Arns Rampinelli, explica que apesar de a principal causa do problema ser a falta de chuvas, isso não explica sozinho o problema.

– Existe um fator não controlado, mas não parou de chover agora. Isso já vem acontecendo há alguns anos. Então tem outro fator que é a falta do planejamento de quem pensa a estrutura do setor. Já havia sinais de que a crise chegaria a esse ponto e os sinais talvez não foram levados com a seriedade necessária por quem toma das decisões – critica.

No curto prazo, para suportar os próximos dois a três meses, a solução mais emergencial segundo o professor é a economia de consumo e, caso a energia gerada no país ainda assim não seja suficiente para chegar até o período de chuvas, a partir de novembro, importar mais energia – medida que já vem sendo adotada. O porém, nesse caso, é que a energia importada deve tornar a conta ainda mais cara.

– Pode piorar. É difícil prever qual será o pior cenário, mas a crise não está no seu auge. Embora os agentes institucionais defendam que não tem risco (de apagão), ninguém pode garantir que não haverá. Esse risco de repetir o cenário de 2001 existe, sim – projeta.

Se o estado e o país conseguirem atravessar os próximos meses sem colapso na geração de energia, as atenções se voltam às soluções de médio prazo, para evitar que o sistema de energia brasileiro volte a ficar no limite.

Para isso, a tendência apontada pelo professor é diversificar as fontes de energia indo além das hidrelétricas. Nesse cenário, quem ganha cada vez mais espaço é a energia eólica, a fotovoltaica e as térmicas, com base em biomassa e gás natural. Segundo Rampinelli, o fato de essas alternativas dependerem de fontes variáveis, como vento e radiação, não deve ser visto como obstáculo para uma aposta ainda maior nessas fontes.

– No Nordeste, por exemplo, que se tornou um grande gerador eólico, já é conhecido o perfil de que no primeiro semestre a geração é mais baixa, e no segundo aumenta bastante, com o que é chamado de “safra dos ventos”. Com planejamento, ciência e tecnologia se garante estabilidade e segurança energética, com a diversificação de matrizes – orienta.

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Referência

Como o risco de apagão e a crise de energia elétrica afetam SC
www.nsctotal.com.br

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