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Ausência de Bolsonaro na COP26 mantém dúvidas sobre políticas ambientais do Brasil

Ausência de Bolsonaro na COP26 mantém dúvidas sobre políticas ambientais do Brasil

Ambientalistas dizem que o debate sobre o aquecimento global não tem relevância para o atual Governo brasileiro.

Ausência de Bolsonaro na COP26 mantém dúvidas sobre políticas ambientais do Brasil

Ambientalistas consideram que a ausência do Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, da cimeira do clima (COP26) manteve dúvidas sobre compromissos ambientais do país e sinalizou a irrelevância que o debate sobre o aquecimento global tem para o atual Governo brasileiro.

Em Glasgow, Karen Oliveira, membro do Grupo Executivo da Coalizão Brasil Clima e gestora de Políticas Públicas e Relações Governamentais na The Nature Conservancy (TNC), afirmou que a ausência de Bolsonaro na 26.ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP26) pode ter elevado desconfiança sobre a execução dos compromissos ambientais anunciados pelo Brasil.

“É muito importante ter o líder [Presidente] no início da conferência para mostrar qual é efetivamente o compromisso do país. Isto, sim, foi sentido. O recado que fica é que não é claro o compromisso do país [Brasil] dentro deste encontro de lideranças que acontece logo nos primeiros dias [da COP26] e que depois foi levado para dentro das negociações”, frisou.

A especialista, porém, preferiu enfatizar que os brasileiros apresentaram ao mundo as suas preocupações relativamente às mudanças climáticas através da participação organizada da sociedade civil na cúpula do clima, nomeadamente das instituições privadas, do setor financeiro, das organizações não-governamentais (ONG), dos indígenas, das comunidades tradicionais e de chefes de governos regionais, que sublinhou terem feito uma grande diferença ao apresentarem também soluções de ‘bioeconomia’ para manter as suaas florestas.

Já Adriana Ramos, assessora da organização não-governamental Instituto Socioambiental (ISA), considerou que a ausência do Presidente brasileiro na COP26 “referenda sinais que o Governo vem dando nos últimos anos, desde que Bolsonaro assumiu, de que é um Governo realmente negacionista no sentido de não atribuir ao tema mudanças climáticas a relevância que ele tem efetivamente”.

“Embora o Brasil, nos últimos meses, tenha tentado fazer anúncios sobre a questão do desflorestamento, tenha sinalizado algum alinhamento com uma agenda mais avançada de compromisso no âmbito das mudanças climáticas, não há nada que tenha mudado na prática brasileira que aponte para isto”, completou a especialista.

Bolsonaro não compareceu na COP26 e optou por prolongar uma visita à Itália no início da semana passada, quando ocorreram os encontros de líderes na COP26, em Glasgow, na Escócia.

Sem o chefe de Estado, a delegação brasileira foi liderada pelo ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite.

Na cúpula do clima, o Brasil comprometeu-se a eliminar o desflorestamento ilegal até 2028 e assinou um acordo para cortar emissões de gás metano.

O país sul-americano também voltou a cobrar a distribuição de recursos de países desenvolvidos para países em desenvolvimento previstos no Acordo de Paris, mas ao contrário da postura adotada na COP25, organizada em 2019 na cidade de Madrid, na Espanha, o país sul-americano mostrou-se mais flexível em alguns temas e não interditou negociações sobre o mercado de carbono.

Questionada a respeito da atuação da delegação brasileira na COP26 e sobre a imagem internacional do país – criticado no debate ambiental devido às altas taxas de desflorestamento da floresta amazónica -, Adriana Ramos salientou que o Governo atuou de forma profissional, mas isto “ainda é muito pouco para que o Brasil retome um papel relevante do ponto de vista da atuação diplomática”.

A mesma perceção foi relatada por Karen Oliveira, presente nos debates em Glasgow.

“Nós observamos que embora tenham ocorrido algumas ações pontuais, esta participação do Governo Federal [do Brasil] mostrou alguns avanços pontuais como a assinatura da declaração das florestas e o acordo para a redução de emissão de metano, isto ainda não é suficiente”, salientou a membro do Grupo Executivo da Coalizão Brasil Clima e gerente da TNC.

Karen Oliveira destacou que o Governo brasileiro ainda tem muitos desafios e o diálogo ainda é insuficiente, porém, houve uma flexibilização positiva.

No geral, a especialista mencionou que a COP26 avançou com declarações sobre florestas, redução de emissão de metano, combustíveis e o redirecionamento para uma economia verde, “acordos setoriais não vinculantes que mostraram um compromisso global e avanços”.

Já Adriana Ramos considerou que a posição mais firme sobre o fim dos subsídios dados aos combustíveis fósseis, o acordo de metano e os acordos de financiamentos ambientais para indígenas foram destaques importantes da cúpula do clima.

“Diante da situação que estamos vivendo, gostaríamos de ver decisões mais avançadas, mas considerando como este processo acontecem e os ‘lobbies’ envolvidos dá para considerar que foi um encontro muito importante. Tendo a ver o lado positivo”, concluiu a assessora do ISA.

A 26.ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP26) adotou formalmente, no sábado, uma declaração final com uma alteração de última hora proposta pela Índia que suaviza o apelo ao fim do uso de carvão.

O documento final aprovado, que ficará conhecido como Pacto Climático de Glasgow, preserva a ambição do Acordo de Paris, alcançado em 2015, de conter o aumento da temperatura global em 1,5ºC (graus celsius) acima dos níveis médios da era pré-industrial.

Referência

Ausência de Bolsonaro na COP26 mantém dúvidas sobre políticas ambientais do Brasil
sicnoticias.pt

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