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REVIEW I Jogo: Deathloop

REVIEW I Jogo: Deathloop

Deathloop é um prato cheio de segredos intrigantes com um gameplay frenético e meio roguelike.

REVIEW I Jogo: Deathloop

Deathloop é um prato cheio de segredos intrigantes com um gameplay frenético e meio roguelike.

Desenvolvido pela Arkane Lyon, estúdio premiado por criar a franquia de Dishonored, e publicado pela Bethesda Softworks da ZeniMax Media, Deathloop é o mais recente exclusivo de PlayStation 5 que chega no dia 14 de setembro e um dos mais aguardados títulos desse ano.

O enredo gira em torno de Blackreef, uma ilha fictícia que está dentro de uma misteriosa distorção temporal. Diferente do ciclo sem fim e da experiência desafiadora que tivemos com Returnal, o título do estúdio francês tem como peça-chave Colt, um assassino que terá uma única chance de escapar e quebrar o ciclo eliminando oito alvos conhecidos como “Os Visionários” em apenas 24 horas ou tudo se inicia do ponto zero. O protagonista está em busca de respostas sobre seus inimigos, a ilha e até mesmo de si próprio. No entanto, como se já não bastassem tais alvos, somos apresentados também à Julianna Blake, outra assassina e antagonista que deseja proteger o ciclo e irritar constantemente seu arqui-inimigo.

No menu principal, o estúdio disponibiliza duas opções de escolha. A primeira, denominada de “Quebre o Ciclo”, jogaremos como Colt vivenciando tudo o que o ciclo tem a oferecer. Já no outro caso, e que por sinal não estará disponível no momento, é intitulado de “Preserve o Ciclo”, e invadiremos as linhas temporais como Julianna caçando nosso maior inimigo. Quem? Isso mesmo que você pensou! Resumidamente, a segunda escolha é o multiplayer, e que necessita de acesso constante à internet e da assinatura da PlayStation Plus. Mas, será que conseguiremos sobreviver e quebrar o ciclo temporal? Bom, então…

Sejam bem-vindos(as) à Blackreef!

Tique-Taque, Tique-Taque, Tique-Taque… A sensação inicial após completar os primeiros instantes mortais de Deathloop, visto que você começa o título sendo brutalmente assassinado por Julianna com uma facada em seu peito, é como se não saísse do lugar, ou melhor, simplesmente ficasse “hipnotizado” pela sua própria morte. Tentamos encontrar a todo custo as respostas para quebrar o ciclo em busca de nossa liberdade, mas tudo se resume em um processo de aprendizagem. A medida que o jogador continua prosseguindo na história, ele acaba compreendendo mais sobre o passado de Colt, afinal, temos a impressão do protagonista ter uma leve amnésia por não se lembrar de nada, assim como no filme “Memento”, de Christopher Nolan. Blackreef é dividido em distritos: O Complexo, Updaam, Baía do Karl, e por fim, Rochedo Fristad. Cada um deles densos como Edge of the World de Dishonored 2. O mesmo distrito pode ser explorado em diferentes momentos, seja manhã, meio-tarde, tarde ou noite.

O jogador pode usar isso a seu favor para manipular o tempo e descobrir mais pistas para quebrar o ciclo. Cada vez que você retorna aos túneis, o tempo avança para o próximo estágio. Por exemplo, se você explorar o mapa urbano de Updaam ao meio-dia, ele permanecerá “meio-dia” o tempo todo em que você estiver lá, não importa quanto tempo você gaste explorando. Quando você sair para retornar à sua base nos túneis de Blackreef, o jogo passa para o próximo intervalo de tempo, então o meio-dia se torna tarde. Depois de completar uma etapa à noite, o loop é reiniciado e você se encontra de volta à praia no período da manhã. Mas, o jogador só tem três vidas. Ou seja, você pode morrer uma ou duas vezes sem nenhum problema. No entanto, o ciclo é reiniciado assim que as “chances” terminam. No início, é complicado de compreender, mas à medida que você vai conhecendo as mecânicas tudo vai se encaixando. Resumidamente, é menos punitivo que Hades, Returnal e títulos timeloop ou roguelike. Dessa forma o conhecimento adquirido no ciclo anterior por meio de pistas ou documentos, você carrega para o próximo. Mas, se o jogador não compreender o passado, é o fim do futuro.

Sebastien Mitton, diretor de arte do estúdio, já havia mencionado que sem os nossos poderes, sempre sentimos a sensação de estarmos presos ao chão. O verdadeiro DNA “Arkanense”! Blackreed é um quebra-cabeça e cada visionário é uma peça diferente. O uso de poderes sobrenaturais agora é conhecido como “Placas” e cada uma delas possui determinadas melhorias. A placa é obtida na primeira vez que você mata um visionário, e conforme você matar o mesmo mais vezes, melhorias vão sendo adquiridas. Nesse meio tempo, devemos usufruir da exploração dos distritos para encontrar documentos, como por exemplo protocolo de preservação do ciclo (AP-PPC-3306) onde justamente descobrimos como quebrar o mesmo, e por fim, pistas dos visionários, que infelizmente não tivemos autorização de citar na análise, mas que basicamente são fluxogramas de informações.

Algumas armas como PT-6 ‘Spiker’, Rapier, 50-50 Strelak, Heritage Gun, LIMP-10, Sepulchra Breteira, Tribunal, Coveira Vopat, Fourpounder, são únicas e antes de iniciar um período o jogador poderá configurar qual a melhor combinação que se identifique com ele. O valioso Residuum, item que Colt usufrui para preservar seu arsenal no próximo ciclo temporal por meio da infusão, é adquirido assim que matar um visionário ou através de objetos espalhados pelos distritos.

É possível notar algumas referências ligadas a Hitman, já que em Deathloop podemos reviver o mesmo dia quantas vezes quisermos abordando o alvo de maneira diferente. Já a arquitetura pode remeter um pouco a Bioshock Infinite pela ambientação retrofuturista inspirada na década de 1960.

Para prometer uma experiência de altíssima qualidade no PlayStation 5 – depois que a Microsoft adquiriu oficialmente a compra da ZeniMax Media e tornou uma exclusividade temporária do título até setembro de 2022 – a Arkane Lyon desenvolveu Deathloop com gráficos 4K 60fps, HDR e RayTracing. Outro ponto extremamente positivo é o uso dos recursos do DualSense, do GameHelp (exclusivo de nova geração da Sony) e do SSD ultrarrápido.

A combinação perfeita entre gatilhos adaptáveis, feedback tátil e alto-falantes do controle tornam o ciclo menos enjoativo, muito mais divertido e principalmente imersivo — a arma travada é um ótimo exemplo. O GameHelp é a mão-amiga em Blackreef. Com dicas e um passo-a-passo, o plano para eliminar um alvo nunca foi tão fácil.  Telas de carregamento são praticamente instantâneas, graças a tecnologia do SSD ultrarrápido de nova geração.

O multiplayer, que basicamente é meio-multiplayer, é outra referência à Watch Dogs da Ubisoft. Por meio de uma invasão, no papel de Colt, o jogador será invadido por Julianna na tentativa de “preservar o ciclo”. Lembrou do começo da análise, né? Pois é, é aqui que se começa a caçada do “gato e rato”. Em outras palavras, da animação de “Tom e Jerry”. Um lado, tenta quebrar o ciclo e sobreviver à Julianna. No outro, preservar o ciclo e eliminar Colt. Por mais que seja uma invasão online, o jogador tem a opção de privar a sua sessão da campanha e com isso, no papel de Julianna, será uma inteligência artificial que irá invadir a sua sessão. Se optar por apenas amigos, somente usuários adicionados em sua lista de amigos poderão invadir sua sessão. Por fim, somente é disponível invadir uma sessão, no caso distrito, se o mesmo período tiver um visionário no mapa.

Disponível na PlayStation Store por R$299,90 a versão Standard Edition, enquanto a versão Deluxe Edition chega por R$399,50 e que garante bônus adicionais que incluem armas e sua trilha sonora digital fabulosa, talvez o estilo de jogo não seja para qualquer um. Portanto é viável aguardar uma promoção se estiver na dúvida.

O principal destaque fica para a localização em PT-BR. A voz de Colt fica com Wellington Lima, conhecido pelos trabalhos em Detroit Become Human como Todd Williams, Luther West em Resident Evil 4: Recomeço. Com Julianna, temos Fernanda Bullara, em Injustice 2 como Poderosa, Lara Croft em Rise of the Tomb Raider e também em Detroit Become Human como North.

Por mais que o fator gunplay, gameplay e localização sejam completos, sempre há um detalhe crítico negativo e que devemos citar. Por exemplo, a água do mar em Blackreef é completamente sem vida. Algumas texturas não se alinham. Mas nada que atrapalhe a diversão durante o ciclo. Jogadores de Dishonored e Prey se sentirão em casa, afinal, Deathloop é um prato cheio de segredos intrigantes.

*Cópia de imprensa disponibilizada gratuitamente para PlayStation 5 pela Bethesda Brasil para a elaboração desta análise*

Referência

REVIEW I Jogo: Deathloop
teoriageek.com.br

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