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Qual o preço de uma recessão?

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Qual o preço de uma recessão? – – Notícias e informações do Grande ABC: dgabc,economia,coluna,desvendando a economia,grande abc,cenário econômico

Qual o preço de uma recessão?

Qual o preço de uma recessão?

Sandro Renato Maskio

13/09/2021 | 00:01

Há pouco mais de uma semana, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou o desempenho da economia brasileira no segundo trimestre do ano. O resultado, que representou um crescimento de 1,8% acumulado nos 12 meses encerrados em junho, ficou abaixo da expectativa dos analistas de mercado e da equipe econômica do governo. Para compensar a retração de 4,1% apresentada pelo PIB em 2020, a economia brasileira tem que crescer pelo menos 4,25% este ano, para voltarmos a ter uma produção de riqueza semelhante à registrada em 2019.

No período entre 2009 e 2020, a economia brasileira expandiu apenas 9,9%. Esta década registrou o pior desempenho da história econômica do Brasil. Além da retração de 2020, no triênio 2014/2016 a economia brasileira encolheu aproximadamente 6,25%.

Para a grande maioria dos indivíduos, entretanto, parecem apenas números atrelados ao ambiente nacional, macroeconômico. Quais são os efeitos provocados em nosso dia a dia por este desempenho pífio da economia na última década? 

Analisando friamente, a primeira observação é que o País trabalhou uma década inteira para manter-se no mesmo lugar, com avanço muito pequeno na riqueza final produzida, de apenas 9,9%. 

Outro ponto essencial está no mercado de trabalho. Mais que dobrou o número de desocupados no Brasil: são cerca de 8 milhões a mais que em 2010, com efeitos negativos sobre a massa de salários e o salário médio dos trabalhadores. A distribuição deste impacto, contudo, não é homogênea, sendo mais intensa sobre trabalhadores mais vulneráveis, os menos qualificados e os mais jovens. 

Em um mero exercício analítico, que se originou em uma atividade com alunos do curso de econometria, fizemos uma projeção para o comportamento do PIB supondo que não tivessem ocorrido a recessão do triênio 2014/2016 e a dificuldade posterior de retomada registrada entre 2017 e 2019.

Supondo que o comportamento do PIB brasileiro a partir de 2014 se comportasse com a mesma trajetória de tendência e sazonalidade demostrada entre 1980 e 2013, em 2019 a economia brasileira apresentaria um PIB aproximadamente 10,2% maior que o efetivamente realizado neste ano.

Com isso, certamente o número de desocupados seria bastante menor, o salário médio e a massa de salários seriam maiores, o nível de consumo e de oportunidades aos empreendedores seria mais amplo. O desafio para as próximas décadas será não só acelerar o ritmo de crescimento econômico da economia brasileira, que foi de pouco mais de 2% ao ano, em média, mas concretizá-lo em um padrão de maior competitividade e sustentabilidade. 

Infelizmente, não bastasse o encolhimento de cerca de 2,4% registrado pela economia brasileira entre 2014 e 2019, em 2020 o imprevisível evento da crise sanitária provocada pela pandemia empurrou a atividade econômica ainda mais para baixo. 

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Referência

Qual o preço de uma recessão?
www.dgabc.com.br

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