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O que dizer para quem ainda tem dúvidas sobre se vacinar contra a covid

O que dizer para quem ainda tem dúvidas sobre se vacinar contra a covid

Antonio J. Ruiz Alcaraz* – The Conversation
Covid: o que dizer para quem ainda tem dúvidas sobre se vacinar contra a doença

O surgimento da pandemia de…

O que dizer para quem ainda tem dúvidas sobre se vacinar contra a covid

O surgimento da pandemia de covid-19 teve um grande impacto em todo o mundo, tanto do ponto de vista social e econômico, quanto de questões biomédicas e técnico-científicas.

Portanto, a necessidade de enfrentar esta pandemia tem promovido um grande esforço internacional. Essa situação, por sua vez, permitiu o desenvolvimento em tempo recorde de uma importante quantidade de vacinas para fazer frente ao coronavírus.

No entanto, a criação dos imunizantes levantou uma série de dúvidas e questionamentos sobre as vacinas entre a população em geral.

Apresentamos a seguir as principais dúvidas e as respectivas respostas.

O RNA mensageiro, ou mRNA, é uma molécula que serve como uma receita para a construção de proteínas. Seria algo parecido com o manual de instruções que contém as etapas da montagem de um móvel.

Quando terminamos de montar os móveis, o manual é jogado fora, não fica na biblioteca de nossa casa. E é isso que nossas células fazem. O mRNA não entra no núcleo da célula onde está nosso material genético, mas exerce sua função efêmera no citoplasma das células e, depois, é degradado.

No caso de vacinas baseadas em mRNA , tanto essa molécula quanto as partículas de gordura nas quais o mRNA está “empacotado” são eliminadas assim que a célula sintetiza uma proteína viral.

A proteína viral será aquela que desperta o nosso sistema imunológico e permitirá o aparecimento de uma resposta e de uma memória de defesa específica contra essa proteína. Portanto, o organismo será eficaz contra o vírus de verdade, mas sem que tenhamos que ser infectados pelo patógeno que causa a covid-19.

O conteúdo das vacinas utilizadas atualmente contra a covid-19 é bem conhecido. É o caso daquelas baseadas em mRNA, como os produtos de Pfizer/BioNTech e Moderna, bem como de todas as outras, inclusive as usadas para as demais doenças infecciosas.

As vacinas são produtos farmacêuticos que, como os demais, têm uma composição claramente determinada e especificada em diretrizes técnicas.

Nos ensaios clínicos de fase 3, já existem dados suficientes para solucionar as dúvidas básicas sobre um novo imunizante, pois é nesta etapa que se conhece sua eficácia e segurança.

Isso significa que eles podem receber a respectiva autorização para comercialização e uso.

Nas fases seguintes, outros dados e efeitos de longo prazo são verificados, como a duração da proteção oferecida pelas vacinas ou a eficácia contra a infecção. Mas estes precisam de estudos com maior tamanho de voluntários e duração prolongada.

Portanto, em uma situação de pandemia como a atual, não é incomum que as vacinas e outros produtos farmacêuticos sejam usados ​​enquanto ainda estão na fase 3, em progressão para a fase 4.

A necessidade de combater a covid-19 deu um forte impulso ao uso de vacinas de mRNA. Mas a ideia de utilizar esse material como base para a produção de imunizantes, bem como a utilização de nanopartículas lipídicas para seu transporte, data de décadas.

Na verdade, essa tecnologia mostrou potencial e já está sendo testada para o desenvolvimento de outras vacinas promissoras contra patógenos, como o vírus zika.

Há também estudos avaliando o uso do mRNA contra outros vírus, para os quais as estratégias clássicas de vacinação não têm sido eficazes, seja por sua alta taxa de mutações, como é o caso do influenza, o causador da gripe, seja por sua capacidade de evadir a resposta imune, como é o caso do HIV, que pode provocar a aids.

Em termos de lançamento no mercado, realmente o tempo tem sido mais curto do que o normal. Mas isso porque, justamente para responder à pandemia, as instituições que fazem o controle de remédios e produtos farmacêuticos, como a Agência Europeia de Medicamentos (EMA, na sigla em inglês), revisaram os resultados quase ao mesmo tempo em que os dados eram disponibilizados por grupos de pesquisa e empresas.

Portanto, em vez de esperar a conclusão dos estudos, como faziam até agora, até que todo o procedimento tivesse terminado para fazer a revisão dos dados, eles fizeram essa revisão em paralelo.

Este processo reduziu muito o tempo necessário para conceder autorização de comercialização e uso para essas vacinas.

Há relatos mostrando que a carga de RNA viral no trato respiratório de vacinados é semelhante à de infectados não vacinados.

Mas esses dados são baseados na quantidade de material genético do vírus detectado, o que não significa que os indivíduos vacinados sejam tão contagiosos quanto os não vacinados.

Ou seja, essa informação não permite distinguir a capacidade infectante dos vírus presentes no trato respiratório dos dois grupos de indivíduos (vacinados x não vacinados).

É claro que as vacinas atuais não são projetadas para prevenir a infecção viral, mas para evitar os sintomas mais graves da doença, que podem levar à morte. Mas há dados de pesquisadores de diferentes países que mostram que a vacinação reduz a capacidade infecciosa de indivíduos imunizados.

Assim, estima-se que, mesmo no caso da variante Delta , as pessoas vacinadas apresentam um risco muito menor de transmitir o vírus aos outros em comparação com aquelas que não foram vacinadas .

Esta redução do risco de transmissão do vírus também é acompanhada por uma probabilidade consideravelmente menor de infecção quando o indivíduo é vacinado, como foi demonstrado em um estudo realizado com profissionais de saúde na Espanha.

Além disso, dados recentes que ainda não foram publicados mostram que as pessoas vacinadas eliminam o vírus de seu corpo muito mais rápido do que as pessoas não vacinadas, mesmo quando a variante dominante é a Delta. Em suma, as pessoas vacinadas são menos contagiosas.

Todos esses esclarecimentos e outros, baseados em evidências científicas, devem responder às dúvidas dos cidadãos e ajudá-los a entender que as vacinas desenvolvidas contra a covid-19 são as melhores ferramentas que dispomos atualmente para conter a pandemia.

E todos os dados indicam que elas são tão seguras quanto outras vacinas clássicas que usamos desde o século passado e que, depois dos sistemas de tratamento de água e de esgoto, foram o segundo avanço sanitário que mais salvou vidas no mundo.

*Antonio J. Ruiz Alcaraz é professor de imunologia da Universidade de Múrcia, na Espanha, e pesquisador do Grupo de Imunidade Inata do Instituto Murciano de Investigação Biossanitária da mesma universidade.

Este artigo foi publicado originalmente no site de notícias acadêmicas The Conversation e republicado aqui sob uma licença Creative Commons. Leia aqui a versão original (em espanhol).

Referência

O que dizer para quem ainda tem dúvidas sobre se vacinar contra a covid
www.obomdanoticia.com.br

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